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Tributo ao “Coruja do Vale”


É inaceitável que o exercício da profissão de jornalista seja neste país, desrespeitada no dia-a-dia e, pior que isso, considerada como uma das mais perigosas, desde que exercida com ética e o rigor que infelizmente, não permeia ou é respeitado por boa parte das redações.

É triste percebermos que parte da imprensa, aqui considerados alguns (muitos?) órgãos dos mais diversos matizes ou tamanhos, que se rendem ao poder econômico, via-de-regra representado pelas várias esferas de governo ou de seus penduricalhos, já que da verba destinada à publicidade nesta terra descoberta por Cabral, mais de 80% deste volume, advém do setor público.

Talvez isso, por si só, explique as posições indecorosas que alguns órgãos de imprensa escrita, falada ou televisada assumem em detrimento claro da divulgação da verdade, que nos parece, é ou deve ser, o escopo principal de todos os que militam na área de informação: Informar sim, deformar não. O que não significa que o direito legítimo de opinar ou o de trabalhar em prol desta ou daquela causa, ou ainda até mesmo de ideologias partidárias ou não, também não assista aos seus proprietários ou editores.

Linha editorial é algo que deve ser definido, mantido e preservado!

Mas, a nenhum de nós, nanicos ou grandes empreendedores da área de comunicação, nos é dado o direito de mentir, omitir ou deturpar fatos, em especial aqueles de interesse público.

O caso da decapitação do jornalista investigativo Evany José Metzker, conhecido por conta do blog “Coruja do Vale”, aquele que denunciava casos de violência e não poupava críticas à administração pública, não é o primeiro, nem será, infelizmente, o último nesta terra de ninguém em que se transformam muitos municípios país afora, administrados por alcaides e seus asseclas que, sentindo-se ameaçados em seus propósitos minimamente aceitáveis, costumam até a partirem para ações criminosas como esta.

Via de regra, estes ilustres senhores ou seus apaniguados, tentam dizimar aqueles órgãos que entendem ser contrários aos interesses deles, através da distribuição de verbas públicas indiscriminadamente à concorrência, de forma desleal e ao arrepio da lei, na certeza de que a “antropofagia” fará com que os mais gulosos exterminem os demais, por inanição econômico-financeira.

A isto, some-se a prática mais que comum de perseguição ou do boicote na distribuição das informações de interesse público ou ainda, em casos extremos, nas ameaças que mais cedo ou mais tarde resultam no “sumiço” do “impertinente”.

O Sindicato dos Jornalistas, o Ministério Público e toda a sociedade atingida por mais este golpe, não podem deixar que se passe em branco, sem a devida apuração e a penalização de tantos quantos participaram, engendraram ou permitiram esta barbaridade, pois, todos sabemos que a imprensa é sem sombra de dúvida, o esteio maior na defesa da democracia e da vigilância permanente na aplicação do recurso público.

Ainda que covardemente decapitado, acreditamos que pelo dever cumprido, por sua coragem, por tudo que denunciou, Metzker partiu desta, de cabeça erguida.


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Editorial

Editorial do Jornal Nova Imprensa