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Fabricando notícia: Prova dos nove, na casa dos dez!


Ultimamente, o Governo Federal tem brindado os telespectadores das quatro principais redes de TV deste país, com sucessivas publicidades, dando conta da sua preocupação com os investimentos na Educação, em especial propagando o “Pátria Educadora”. Isto a cada intervalo dos principais noticiosos que, não se cansam de mostrar ao público o outro lado da notícia, a verdade factual que veicula o desespero de milhões de jovens que, emergindo de classes sociais mais baixas, acreditaram nas promessas, se matricularam em escolas particulares e agora, não sabem como dar continuidade nos estudos, ou melhor, nos sonhos.

Publicidades da Petrobras também disputam espaço com o Ministério da Educação e anunciam em peças muito bem produzidas que a empresa já emerge vencedora do caos em que a meteram (dispensável aqui mencionar ou lembrar os nomes dos bandidos (as), autores da “façanha”, por se tratar de gente por demais conhecida). O fato é que, estas e outras publicidades como as da Caixa Federal e de outros penduricalhos do governo, colaboram de certa forma com as finanças das emissoras e reduzem alguns preciosos minutos no espaço de tempo que antes era destinado ao noticiário. Com menos tempo para noticiar, diminui também a possibilidade de comentários de âncoras mais destemidos e realmente comprometidos com a verdade, antes capazes de esclarecer ou elucidar dúvidas dos telespectadores, digamos, mais tacanhos, o grande público eleitor de interesse do governo.

No recente episódio da comenda concedida pelo senhor governador ao “ilustre Stédile”, a não ser na Bandeirantes, o que se viu foi que nenhum outro órgão de imprensa de expressão nacional ou não, foi capaz de tratar daquilo que, ao menos para nós, pareceu ter sido uma clara provocação a tantos quantos defendem os valores democráticos que sempre nortearam os mineiros, não a todos, é claro! Sequer a notícia de que outros ilustres agraciados com a comenda, ainda que a tenham recebido anteriormente, a devolveram em sinal de protesto, mereceu espaço nos noticiários. Ressalvamos aqui o jornal conhecido como dos minérios, O Estado de Minas e citamos aqui como exemplo a atitude do ilustre magistrado MOZART HAMILTON BUENO, republicada nesta mesma página.

Aqui na terrinha, enquanto o assunto Santa Casa ocupa a maioria das páginas dos nossos noticiários, a população, inclusive a que de alguma forma tenta se informar através da mídia alternativa, distraída com a enxurrada de notícias que o problema (que é grave) nos traz, se esquece de muitos outros que nos cercam e que afetam nossas vidas diariamente. Nele mesmo, no caso Santa Casa, há uma série de interesses, para muitos escusos que nos parece estão a falar mais alto quando das tomadas de certas decisões, e ninguém sequer os comenta. Outro exemplo? Verifiquem as suas contas de energia que vencem agora, a partir do dia 25, e respondam a vocês mesmos se aquela tabela que o governo negociou e foi aprovada pelo Legislativo no apagar das luzes do último ano pela maioria de seus componentes, é a mesma que está sendo aplicada atualmente? Será mesmo que houve a redução anunciada e garantida pelos ilustres negociadores em audiências públicas, quando se cantou a boa nova em verso e prosa, nos dando conta de que com a mudança de alíquotas para o sistema de valores pré-fixados e que variavam de R$3 a R$20 haveria sim, uma sensível diminuição em favor dos consumidores? Compare a conta atual com qualquer uma das anteriores e conclua que, mais uma vez, fomos todos enganados, e o que é pior, pelos mesmos de sempre!

E saibam, um parecer de um tributarista comprova as ilegalidades contidas na tal lei. Estas foram inclusive, denunciadas por este editor na tribuna daquela mesma Casa, mas até hoje, em favor dos consumidores, ao que se sabe, nada foi feito.

O pior é que, mesmo que o Ministério Público ou qualquer um de nós encaminhe ao Poder Judiciário mais esta pendenga, provavelmente, ocorrerá o mesmo que aconteceu com os 25% que caíram nas nossas costas, no conhecido caso Saae. Naquele episódio, o Judiciário há mais de ano, ao que parece, se esquece de que milhares de consumidores, mensalmente, arcam com o prejuízo. In dúbio pro reo?

E daí? Daí que, quando o Legislativo funciona a contento, quando há sintonia entre poderes, quando o bom senso fala mais alto e os interesses pessoais não se sobrepõem aos públicos, a politicagem perde espaço e a coisa flui com maior tranquilidade, permitindo que a justiça se faça mais facilmente.

A verdade é que este assunto Santa Casa, da forma como foi colocado na coletiva desta semana, lá no Gabinete da Casa Goiaba, será uma espécie de “prova dos nove na casa dos dez”.

Aguardemos!

CONHEÇA A CARTA

Excelentíssimo Senhor

Fernando Pimentel

DD. Governador do Estado de Minas Gerais

“Minas Gerais não aceita a paz morna da submissão” (Governador Itamar Franco)

Senhor Governador.

No ano de l982 fui agraciado pelo Governo do meu estado com a Medalha da Inconfidência.

Era então, Diretor do Colégio Tiradentes da Policia Militar sediado em Barbacena e Comandante Geral da mesma Corporação o Coronel PM Jair Cançado Coutinho, sendo Governador do Estado o Dr. Francelino Pereira dos Santos.

Por indicação daquele Comandante fui agraciado pelo Governador com esta comenda pelos “relevantes serviços prestados” à gloriosa Polícia Militar e ao seu sistema de ensino.

Não sei se tão relevantes foram esses serviços, mas afirmo que durante os sete anos em que dirigi o referido Colégio entreguei-me de corpo de alma à missão e o fiz despontar, coadjuvado por excelente equipe de Especialistas, Professores e Corpo Administrativo, como Padrão em Minas Gerais, segundo avaliação da Secretaria de Educação, e, sem qualquer dúvida, o melhor de Barbacena.

Cheguei à direção daquele Colégio através de uma caminhada pelas fileiras da Corporação, na qual me alistei, em 1.954, com treze anos de idade, como aluno da Escola de Formação Musical do 9º Batalhão, escola essa criada pelo Governador Juscelino Kubitscheck. Nessa caminhada e graças à PMMG logrei alcançar dois cursos superiores, conquistar o primeiro lugar no Estado no Concurso Público para a Cadeira de História, patrocinado pela Corporação e, em seguida, ser nomeado Diretor do referido estabelecimento.

Com dedicação e apoio do saudoso Coronel Walter Rachid Bittar, Chefe do Estado Maior da PMMG e do não menos saudoso Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes Secretário de Obras do Estado, edificamos o novo prédio do Educandário, remodelamos a sua administração e implantamos o Serviço de Supervisão Pedagógica.

Foram vinte e oito (28) anos vividos no seio da Corporação, da qual me desliguei para encetar carreira na Magistratura do Estado de Rondônia.

Reconheço, sinceramente, que a comenda a mim conferida, ultrapassa, e muito, os meus méritos, se é que os tenho, mas a recebi com orgulho e a consciência tranquila de quem tudo fez em prol da educação mineira e em especial da juventude barbacenense.

Hoje, assisto no noticiário haver Vossa Excelência conferido igual comenda a um tal Stédile, de quem ouço falar como invasor de propriedades alheias, de incentivador da desobediência civil, da liderança de insurrectos e como comandante de um exército ilegal e nocivo à segurança nacional.

Respeito a escolha de Vossa Excelência por essa atitude, mas me recuso ao nivelamento a que estão submetidos os nomes de grandes brasileiros que também foram distinguidos pelos governadores que lhe antecederam.

No Brasil atual em que a corrupção endêmica é a tônica do noticiário, em que a mediocridade se sobrepõe à criatividade; a esperteza à honestidade, a incompetência à capacidade e o corporativismo partidário aos interesses maiores na nação, sinto quão imerecida se apresenta essa condecoração, eis que grandes nomes do cenário nacional, em todas as áreas da atividade, são ignorados neste momento pelos governantes de plantão.

Prefiro tê-la merecido sem ostentá-la que dividi-la com quem nada fez em prol do Brasil, da ordem pública e muito menos por Minas Gerais onde é ilustre desconhecido.

Nesta oportunidade peço desculpas ao ilustre Coronel PM Jair Cançado Coutinho e ao Governador Francelino Pereira dos Santos por esta atitude, afirmando, contudo que maior que a comenda que me concederam é a gratidão que por eles guardo no recôndito do meu coração.

Não me julgo superior a esse senhor Stédile, mas a minha modesta biografia, a minha devoção ao meu Estado natal, -berço e sacrário da nossa liberdade- recomendam-me não aceitar esse nivelamento, razão pela qual e por imperativo da minha formação cívica, renuncio ao galardão, com pesar, é verdade, mas convicto de que faço o que dita minha consciência.

A medalha, a passadeira e o respectivo Diploma seguem endereçadas ao Cerimonial do seu governo, via SEDEX com aviso de recebimento.

Atenciosamente.

Brasília, 21 de abril de 2015

MOZART HAMILTON BUENO

RG: M.1.319,984 SSP-MG


Sobre o(a) autor(a)

Editorial

Editorial do Jornal Nova Imprensa