Só neste ano, 62 mulheres foram assassinadas em Minas Gerais por questão de gênero. Ou seja, crimes tipificados pela Lei 11.340/06, a Lei Maria da Penha. Das mulheres mortas, quatro estavam grávidas, segundo informações da deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG) presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito CPMI do Congresso Nacional que investiga a violência contra a mulher no País.
Dois dos criminosos já haviam matado mulheres anteriormente. São reincidentes, pontuou a parlamentar durante discurso na tribuna da Câmara.
A CPMI que estava prevista para terminar neste mês foi prorrogada por mais 180 dias, em razão de sua dinâmica de avaliar a situação das agressões nos diferentes estados do País. O colegiado já visitou nove unidades da federação onde realizou audiências públicas e diligências nos órgãos destinados ao atendimento, amparo e proteção das vítimas e recolhimento dos agressores. Também já promoveu16 audiências públicas no Congresso.
Avaliação
?O problema da violência é de tamanha magnitude que tivemos de pedir a prorrogação para fazer diligências em outros estados que demandam nosso trabalho?, justificou. Entre as unidades a serem visitadas pela CPMI estão a Paraíba, o Amazonas, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Roraima e o Distrito Federal.
A avaliação é de que os desafios vividos são inúmeros em razão da escassez de recursos, estrutura física e de pessoal para as entidades, instituições e órgãos diretamente relacionados com a questão da violência contra a mulher. ?E isto não é apenas porque o problema cresce, mas também pela dimensão que os governos dos diferentes níveis dão a este problema. Alguns secretários se recusaram a comparecer às audiências. O que obrigou a CPMI a convocá-los para que eles pudessem responder por suas responsabilidades?, observou a titular do colegiado.
Homicídios
Das 62 mulheres assassinadas, 10 homicídios aconteceram em agosto; oito em julho; sete em junho; 10 em maio; oito em abril; sete em março; quatro em fevereiro e oito em janeiro. Todos, cometidos por maridos, companheiros, namorados, ou a mando deles. Os crimes que vitimaram grávidas aconteceram em Montes Claros; Itambacuri, Itabira e Mutum. Um dos assassinos reincidentes matou a primeira mulher grávida.

print
Comentários