Dia 13 de maio, a assembléia trabalhou; levanta a cabeça gente; cativeiro já acabou. É lembrando este refrão de uma música cantada pelos congadeiros que o presidente do Conselho Municipal da Identidade Negra de Formiga, José Antônio Firme, comenta sobre a reflexão que deve ser feita no dia de hoje, quando se comemora a Abolição da Escravatura no Brasil.
José Antônio ressalta que o dia 13 de maio não é uma data festiva e sim reflexiva. È um dia lembrando pela comunidade negra e, principalmente, pelos congadeiros, por ser também o dia de preto velho, além de ser dedicado à Nossa Senhora de Fátima, na qual eles têm muita devoção. Ainda assim, é um dia esquecido por muitos, que passa despercebido.
Em Formiga, neste dia 13 especificamente não haverá comemoração, mas o mês de maio está marcado de atividades alusivas à data. Além de ter sido realizada a Conferência Municipal de Igualdade Racial, que discutiu importantes assuntos de interesse da comunidade negra, têm ocorrido palestras nas escolas.
O evento que vai fechar as comemorações será no dia 23 de maio, quando haverá um desfile para escolher a garota ?Beleza Negra? de Formiga. O concurso terá início às 21h, na sede social do Clube Centenário. Os ingressos podem ser adquiridos a partir desta sexta-feira (15) na Tabacaria do Mauro. O preço é R$10 o avulso e R$60 a mesa, mas os convites são limitados. Haverá a participação do DJ Anderson e apresentação do grupo Esquadrão da Dança, da Academia Corpo e Movimento.
A abolição
A Princesa Isabel assinou a Lei Áurea no dia 13 de maio de 1888, o que pôs fim a uma vida de sofrimentos e humilhação para os negros, que eram trazidos do continente Africano, transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Eles eram comprados como mercadorias e tratados de forma cruel e desumana. A escravidão foi mantida por cerca de 300 anos. Por sorte, havia as pessoas de bem que lutavam para o seu fim, eram os abolicionistas.
Conforme mostram as pesquisas sobre a história do Brasil, o primeiro passo para o fim da escravidão foi dado em 1850, quando foi extinto o tráfico negreiro. Em 1871, foi declarada a Lei do Ventre-Livre, que tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.
Já em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários, a qual beneficiava os negros com idade acima de 65 anos. Enfim, a Lei Áurea veio para dar definitivamente a liberdade dos negros no Brasil.
Depois de 121 anos da Abolição da Escravatura, muita coisa mudou, mas muito ainda precisa ser feito. Em pleno século XXI, os negros ainda precisam se valer de cotas para ter uma educação digna, emprego e melhor qualidade de vida. Ainda faltam políticas públicas voltadas para as comunidades negras e, principalmente, um trabalho de conscientização para colocar definitivamente um fim no preconceito racial.

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