A alternância no poder é necessária e até vital para o desenvolvimento político, social e econômico do país, e pressupõe o não exercício de mandato eleitoral, cerca de 4 anos, com o objetivo de o político retornar para a sua base eleitoral e voltar a ter contato com a realidade social e econômica dos cidadãos.

O poder designa a capacidade de agir, de produzir efeitos e de mudar a realidade. Neste sentido, quando um partido chega ao poder, todas as pessoas líderes e eminentes deste partido são alçadas ao estrelato político e suas ideias irão nortear a ação governamental. Os novos integrantes chegam com ideias da base real, seja ela popular ou empresarial, fazendo avanços de acordo com a sua experiência e percepção de vida.

Passado um mandato eleitoral, cerca de 4 anos, o político que chegou ao poder já não tem tanto contato com a realidade de sua base eleitoral, pois ficou longe dela, devido ao exercício do mandato, o qual foi tomado por diversas reuniões, plenárias, audiências, longas decisões e acordos políticos.

A reeleição, por si só, em todas as suas formas, seja do vereador, do prefeito, do deputado estadual e federal, do senador, do governador, do presidente, é perniciosa ao interesse público. Quando reeleito, o político deixa de ter criatividade para enfrentar os problemas da sociedade, pois se distanciou do mundo real.

Além do mais, exceto nos cargos executivos (prefeito, governador e presidente) onde é possível apenas uma reeleição, nos demais cargos (vereador, deputado e senador) constatam-se políticos fazendo décadas de carreira no mesmo cargo.

Hipoteticamente, por exemplo, um político que chega a Brasília verá políticas públicas avançadas, dignas de primeiro mundo, como faixa para pedestres sendo respeitadas pelos motoristas de automóveis, planejamento urbano, parques e áreas públicas, áreas verdes preservadas, maturidade política da população, etc. enfim um paraíso. Em seu primeiro mandato, irá escancarar a realidade de seu estado de origem, onde ainda vige a desigualdade, a pobreza e condições de vida dignas de países muito atrasados. Fará propostas para melhorar as condições de vida das pessoas, irá aos ministérios pedir ações públicas para o seu Estado, solicitará às agências reguladoras a adoção de ações para melhorar os serviços públicos.

Passados 4 quatro anos, após viver em Brasília e ir episodicamente ao seu Estado, este político já estará distante da realidade de vida de sua terra natal e estará preocupadomais com a sua reeleição do que em defender os interesses dos mais necessitados. Então, o país que tinha um político empenhado em melhorar a vida do povo, passa a ter um político preocupado em se manter no poder e estará acostumado com o nível econômico e social da vida parlamentar (imóvel funcional, carro com motorista, passagens de avião, etc.). Além disto, mesmo quando o detentor de cargo não desejar concorrer à reeleição, haverá a pressão das pessoas de seu staff político a implorar que concorra novamente, preocupados em não perder o seu próprio cargo.

É neste contexto, que o voto deve ter a capacidade de assegurar a rotatividade no poder, fazendo com que a reeleição, em todos os níveis, seja proscrita do Brasil, para termos políticos novos a cada legislatura e vindos dos diversos rincões do Brasil com ideias novas, cheios de esperança e com propostas para melhorar a vida da população.

O fim da reeleição acarretaria o fim da perpetuidade no poder, com reeleições frequentes, pois esta tem a capacidade de diminuir o poder do detentor do cargo público de mudar a realidade e os reeleitos conseguem apenas garantir a manutenção da mesma realidade social.

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