Toda a República está lá, entregue por 78 delatores.  A Câmara, o Senado, o presidente, ex-presidentes, mortos, vivos, parentes, amigos, filhos, mulheres, maridos — e nem um nome de juiz ou desembargador?

Nove ministros, três governadores, 24 senadores e 37 deputados federais. Tem até o Vado da Farmácia.

E ninguém dos tribunais superiores. A Odebrecht operou esse tempo todo sem desembolsar um tostão por, digamos, uma sentença favorável?

Difícil.

No final do ano passado, Eliana Calmon, ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça, deu uma entrevista a Ricardo Boechat. “Delação da Odebrecht sem pegar o Judiciário não é delação”, lembrou.

“É impossível levar a sério essa delação caso não mencione um magistrado sequer”.

A bem vinda guerra contra a corrupção fica manca dessa maneira. Por que nada foi perguntado aos executivos sobre isso?

Ao jornal Tribuna da Bahia, Calmon foi além. “Nessa república louca que é o Brasil, temos aí o Executivo e o Legislativo altamente envolvidos nas questões da Odebrecht, de acordo com as delações no âmbito da Operação Lava Jato. Tem-se aí pelo menos uns 30 anos em que a Odebrecht ganha praticamente todas as ações na Justiça”, afirmou.

“O Judiciário nunca toma uma posição contrária à empresa? Será que o Judiciário é o mais correto dos poderes? Em todas essas inúmeras licitações que a Odebrecht já ganhou no Brasil nunca a Justiça encontrou nada suspeito sem que precisasse alguém denunciar”.

A classe política está na lata do lixo. Um salvador da pátria tem tudo para emergir.

Se não Bolsonaro, que é uma besta, eventualmente o “gestor” João Doria. Vai depender do que decidirem os donos togados do Brasil.

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