Duas medidas que ultimamente foram tomadas pela atual administração nos levam a constatar que a desinformação por lá reinante, acabou prejudicando o encaminhamento de soluções para questões que eram de interesse público.

A primeira delas diz respeito a não contratação dos serviços da Caixa Econômica e de seus representantes, lotéricas e outros estabelecimentos, que até então recebiam em nome do Saae, os débitos que mensalmente são apresentados aos munícipes em razão da cobrança pelo fornecimento de água e esgoto e da tarifa referente à parcela que remunera os serviços prestados pelo município a título de limpeza urbana, recolhimento e disposição de resíduos.

Sem prévio aviso à população, a autarquia cancelou o contrato que vigorava e às pressas, saiu informando de maneira mais que precária e com muito atraso, que os contribuintes teriam à sua disposição alguns bancos, Correios e lojas correspondentes de uma cooperativa, para ali, quitarem seus débitos.

O problema criado foi grande, pois os bancos e seus caixas eletrônicos só atendem a seus correntistas já cadastrados e mesmo assim, naquele horário reduzido que, por razões de segurança, hoje vigoram.

Os tais correspondentes, lojas comerciais, ao que se sabe, em pouco tempo de caixa aberto, tem seus limites estourados e o que se tem notado é que muita gente que ainda está na fila, ainda que disposta a quitar seus débitos dentro do vencimento, acaba sendo obrigada a procurar outro “recebedor”, sabe-se lá, onde.

Com o atraso, certamente no mês subsequente serão presenteados com a multa prevista.

E tudo isto ocorre em razão de uma economia que, se levada ao pé da letra, e, imaginando que os 22 mil consumidores cadastrados venham todos a quitar suas contas nas lotéricas, o custo do Saae com a remuneração dos agentes recebedores, se comparado aos demais agora conveniados, seria acrescido de pouco mais de R$ 6 mil.

Ora, se a direção da autarquia fizer um cálculo do quanto cobrou como água fornecida durante a vigência do racionamento, quando todos sabem que muito ar circulou pelas tubulações e foi registrado pelos hidrômetros, comprovará que a reclamação dos consumidores que a isto se referem, não é de todo descabida.

A grande pergunta é: será que nossos dirigentes não mediram, como dizia a vovó, “a água e o fubá”, antes de tomarem esta decisão que, sabidamente, acarreta problemas a toda a população e gerou reclamações, em especial, dentre aqueles que não são, por razões conhecidas, clientes de bancos e não podem se submeter aos seus horários de funcionamento?

A inadimplência no decorrer deste mês, provavelmente fará com que os diretores do Saae reflitam e, quem sabe, com humildade, deem um passo atrás e reponham as coisas no lugar devido.

Com um faturamento mensal bem superior a um milhão e fumacinha, a diretoria sabe que uma despesa de cobrança nesta ordem é desprezível. O custo benefício, diante da nova realidade será levado em consideração e a “clientela” certamente saberá agradecer a “gentileza”.

Em outra ponta, a resposta enviada pelo Gabinete no decorrer dessa semana a um órgão de imprensa local, quando atirou no colo do Legislativo a culpa pelo não recolhimento de animais que perambulam pelas ruas desta cidade, nos parece, é outro exemplo de que a desinformação lá pelas bandas da “Casa Rosada”, mais uma vez, existiu e, o que é pior, extrapolou certos limites.

As razões pelas quais, determinado projeto não tramitou com rapidez, o que, aliás, por motivos idênticos se justifica e acontece com muitos outros, sequer foram verificadas. O resultado prático da resposta oficial extrapolou as raias do bom senso e gerou no Legislativo um desconforto geral.

Dos dez vereadores que compõem a Casa, apenas dois deles, na condição de membros de uma das comissões, não haviam, até então, deliberado a respeito do projeto, isto em razão de estarem aguardando a resposta de um pedido legítimo de informações por eles endereçado a uma entidade ligada à proteção dos animais.

Ao que apuramos, na quinta-feira (7), provavelmente em razão da veiculação de matéria publicada por um órgão de imprensa local sob o título: “Projeto não anda na Câmara e Prefeitura está impedida de apreender animais nas ruas”, a resposta do tal ofício solicitado acabou sendo protocolada na Câmara durante o expediente vespertino.

O incidente causou, no mínimo, um desconforto desnecessário e pouco conveniente entre os poderes que pretendem, conforme dita a Constituição, ser independentes, sim, porém, harmônicos!

A desinformação, mais uma vez, ainda que minimamente, prestou outro lamentável desserviço ao município e prova disto está na nota expedida pelo Legislativo. 

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