Em 1942 o Brasil possuía 56 diferentes cédulas de dinheiro em circulação. Foi feita uma mudança do padrão monetário e os réis deram lugar ao cruzeiro.

Entre 1967 e 1994 a moeda trocou de nome sete vezes e em 1994 tivemos a implantação do real. Neste período, os brasileiros viveram muitas situações em sua relação à moeda, como reajustes diários de preços, compras de supermercado para lotar o mais rápido possível o carrinho, estocagem de produtos alimentícios e outros de primeiras necessidades, inflação mensal de 80% por mês, estagflação (estagnação com inflação), plano cruzado, etc. O economês e a “sopa de letrinhas” inundavam os noticiários e a imaginação do consumidor brasileiro desinformado, como overnight, mercado futuro, open market, reajuste de salários mensal, tablita, URT, opções, etc. A hiperinflação sufocou qualquer oportunidade de planejamento do futuro dos agentes econômicos (consumidores e empresários) e deixou marcas no brasileiro, principalmente a necessidade de gastar imediatamente a sua renda e não optar por investir para ter um futuro melhor.

O plano real propiciou às pessoas poderem planejar coisas simples, como as próprias férias ou mesmo fazer opções mais sofisticadas como ter planos de previdência privada ou poupar para a aquisição de objetos de consumo de maior valor agregado, como o próprio imóvel ou a criação de um empreendimento próprio.

Os setores que mais sofrem com a inflação é a população de menor renda e também estes são os primeiros beneficiados pela estabilização da moeda, prova disto é a explosão de consumo no final de 1994.

As empresas, a partir da estabilização do real, puderam fazer um planejamento mais organizado e consistente.

Nos anos 2000 a economia brasileira estabilizou e o poder de compra dos consumidores aumentou, principalmente das classes de menor renda.

As empresas financeiras, baseadas no maior poder de compra das classes de menor renda e no exemplo exitoso dos altos índices de pontualidade no pagamento dos créditos das Casas Bahia, estipularam estratégias de aumento do crédito para esta população, por ser esta excelente pagadora de crédito.

Foi instituído o crédito consignado, apareceram dezenas de financeiras e houve a abertura desta versão de crédito por todos os bancos. Nas cidades os promotores de vendas de créditos ofereciam o crédito nas ruas.

Os bancos cobravam juros altíssimos e os consumidores não faziam as contas do montante de juros que estavam pagando e se endividavam cada vez mais.

As instituições financeiras disponibilizavam malas diretas e crédito pré-aprovado com valores sedutores para os consumidores despreparados e poucos ciosos das consequências do alto endividamento.

Sempre importante ressaltar que a disponibilização de maior volume de crédito deveria ter sido acompanhada de campanha nacional financeira pelos setores privados e públicos. Entretanto, o aumento do consumo, estimulado pelo crédito, propiciou uma impressão artificial de ter os consumidores o maior poder de compra e também de enriquecimento.

Após isto, as instituições financeiras ofereceram cartões de crédito, com os gestores tendo metas a atingir para vender estes produtos. Assim, foi possível ver pessoas tendo 6 a 8 cartões de crédito.

De repente, o frenesi do aumento de consumo por endividamento, deu lugar a preocupações e alertas do setor financeiro com o aumento da inadimplência e, em consequência, a diminuição dos seus lucros. As financeiras acusaram os consumidores de serem inconsequentes nos gastos, do fato das pessoas emprestarem cartão de crédito para parentes e vizinhos.

Acontece que o setor financeiro ofereceu o crédito para o consumidor despreparado de forma maciça, de maneira forçada muitas vezes e, inclusive, os gestores tinham metas para executar, como número de novos clientes com cartões, maior volume e número de empréstimos pessoais e imobiliários, etc. Era o setor financeiro profissional procurando ter o maior resultado no curto prazo à custa de consumidores desavisados e muitas vezes manipulados, onde a base de pirâmide era estimulada a consumir sem se preocupar com o futuro.

Estratégias podem ser feitas para melhorar o nível de educação financeira do povo.

Uma das formas é o poder público educar e orientar o povo a poupar e investir para ter um futuro melhor. Desta forma, poderíamos ter uma população com uma vida financeira sustentável e teríamos uma poupança interna consolidada para propiciar empréstimos com taxa de juros de longo prazo menor para estimular o investimento.

Outra forma são as lições de educação financeira ensinarem as pessoas a realizarem os seus sonhos, com a definição de metas e execução de plano para alcançá-las, formas de obtenção de renda, ter o mínimo de despesas, administrar eficazmente as dívidas, investir persistentemente e ter perseverança para atingir as suas metas.

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