A Argentina demonstrou a importância de se ter uma coordenação de políticas públicas no combate ao coronavírus.

No dia 14 deste mês, quando questionado sobre a diferença entre o número de mortes pelo coronavírus no Brasil e na Argentina, Bolsonaro respondeu que se deve comparar em termos relativos.

No dia 19, o Brasil, com 210 milhões de habitantes, tinha 17971 mortos, 85,57 mortos por milhão de habitantes, e a Argentina, com 45 milhões de habitantes, tinha 393 mortos, 8,73 mortos por milhão de habitantes.

Desde o dia 20/03, a Argentina adotou quarenta obrigatória, com proteção do trabalho, investimento na produção de suprimentos de saúde, fechamento de fronteiras, etc.

No Brasil, os governos (federal e estadual/municipal) agem com visões díspares sobre a melhor forma de combater a pandemia do coronavírus. Para evitar a saturação dos sistemas de saúde, os governos locais adotam medidas de isolamento social. Por sua vez, o governo federal defende o isolamento vertical (de pessoas mais expostas ao coronavírus, como idosos, portadores de doenças graves, etc.) e recrimina o fechamento do comércio e da indústria, sob o argumento de as medidas de isolamento geral acarretarem dificuldades econômicas.

Não se pode negar as consequências econômicas das diversas práticas de isolamento, como perda de renda pelas pessoas e empresas, mas são deploráveis ações, como a de Bolsonaro, de estímulo para os empresários se insurgirem contra a possíveis medidas determinadas pelos governos estaduais e municipais de isolamento social.

A Argentina não nega os prejuízos econômicos e obtém sucesso na implementação das medidas para a proteção da população, graças à união de todos os governos e dos políticos, inclusive da oposição.

No Brasil, infelizmente, principalmente no governo federal, perde-se muito tempo em entrevistas, postagens nas redes sociais, criação de polêmicas, etc.

Hipoteticamente, no dia 19, caso tivesse o Brasil, a mesma situação da Argentina no combate ao coronavírus, em uma lógica matemática e um raciocínio simples, sem considerar outros fatores, poderíamos ter tido 1834 mortos por coronavírus, salvando 16137 preciosas vidas.

A partir dos fatos apresentados, seria melhor para o Brasil os políticos e governos estarem unidos em prol do seu povo. Com vontade política e trabalho, teríamos coordenação de todas as ações, onde o governo federal exerceria papel de coordenação das ações contra o coronavírus com validade em todo o território nacional, implementaria protocolos seguros de funcionamento da indústria e do comércio, teríamos a participação de todas as forças públicas de segurança, uso de celulares para detectar aglomerações (com preservação dos dados confidenciais), definição de índices de ocupação de leitos de hospitais como parâmetro para a adoção de isolamento, obrigatoriedade do uso de máscaras.

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