Desde o início do ano, o Governo tem adotado procedimentos para a valorização mercadológica da Petrobras.

A Petrobras perdeu valor de mercado nos últimos anos devido, principalmente, ao alto endividamento para fazer face aos investimentos estratégicos na exploração do pré-sal e também à queda dos preços do barril de petróleo no mercado internacional.

O preço do barril do petróleo atingiu em agosto de 2008 o valor de US$123. Em 2007 foram descobertos vastos campos petrolíferos na camada pré-sal de áreas da costa do Brasil, e, aproveitando a valorização mundial do petróleo, a Petrobras adotou políticas de investimento para exploração destes campos. O governo sancionou lei direcionando os royalties destes campos para serem aplicados na saúde e educação. A partir de 2014, a crise mundial diminuiu os preços das commodities e em dezembro de 2014 o preço do barril de petróleo atingiu o valor de US$57,33, em janeiro de 2016 chegou a valer US$34,74 e hoje o preço do barril do petróleo está cotado a US$51.

Desde o início de 2016, a Petrobras e o Governo adotaram atitudes articuladas para reverter o quadro, no curto prazo, de desvalorização de mercado da companhia. Assim, o Congresso aprovou a não obrigatoriedade de participação de 30% da Petrobras na exploração dos novos campos do pré-sal, a estatal está executando política de venda de ativos (já alienou campos de pré-Sal e espera vender parte do controle da BR Distribuidora) e os produtos estão com os preços atualizados.

No Plano Estratégico e Plano de Negócios para os anos de 2017 a 2021, a Petrobras estipulou ser prioridade o foco em óleo e gás, maximizar a geração de valor, fortalecer os controles internos e a governança, adotar políticas de preços de mercado dos seus produtos. Os riscos envolvidos e a serem geridos são as mudanças relevantes no mercado, parcerias e desinvestimentos, disputas judiciais, impacto do conteúdo local nos custos e projetos, atraso na construção das plataformas, custo dos investimentos acima do previsto.

Toda esta política agrada ao mercado, especificamente aos investidores, ao capital nacional ávido por aplicações lucrativas em novos negócios e também ao capital internacional, sempreinteressado em adquirir e ter controle sobre campos de petróleo (chamado de ouro negro) no mundo todo.

Podem até perguntar: E o dinheiro para educação, saúde? Ainda está vigente a Lei n° 12.858, de 2013, a qual garante a destinação de recursos dos royalties do petróleo para a educação e saúde, oriundos do Fundo Social, criado para constituir recursos para programas e projetos nas áreas de combate à pobreza e de desigualdade de desenvolvimento.

Considerada a lucratividade da empresa no curto prazo, sendo desconsiderados outros fatores políticos, sociais e econômicos no médio e longo prazo, os procedimentos têm surtido efeito e as ações da Petrobras tiveram expressiva valorização, sendo cotadas no dia 7 de outubro de 2016 a R$15,26 as preferenciais e a R$16,95 as ordinárias, causando uma valorização em cascata das demais ações e gerando euforia no mercado acionário, um dos termômetros sempre mencionados pelos agentes econômicos e meios de comunicação para avaliar o estado de otimismo ou pessimismo do mercado brasileiro.

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