No livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota (Record, 2018)”, Olavo de Carvalho, na página 397, defende ser a razão obtida pela experiência humana superior à experiência científica: “…como se constitui uma ciência? Supõe-se que determinado grupo de fenômenos obedece a certas constantes e em seguida se recortam amostras dentro desse mesmo grupo para averiguar, mediante observações, experiências e medições, se as coisas se passam como previsto na hipótese inicial. Repetida a operação um certo número de vezes, busca-se articular os seus resultados num discurso lógico-dedutivo, estruturando a realidade da experiência na forma de uma demonstração lógica, evidenciando, ao menos idealmente, a racionalidade do real. Tudo isso é impossível sem as categorias da razão, obtidas não desta ou daquela experiência científica, nem de todas em conjunto, mas do próprio senso da experiência humana como totalidade ilimitada.

Esse negacionismo da ciência e do conhecimento acumulado impulsiona os seguidores de Bolsonaro a colocarem em prática as suas convicções a partir, unicamente, de sua experiência pessoal.

O negacionismo a toda a academia e ao conhecimento acumulado (livros, escolas, bibliotecas, etc.) deu oportunidade a pessoas com crenças distintas poderem ocupar cargos e até direcionar políticas públicas equivocadas.

Espanta, esses negacionistas, que deveriam mostrar os seus currículos sem menção a conhecimento adquirido academicamente, quando candidatos a ministro apresentarem seus currículos com cursos que nem mesmo fizeram.

Todos tem a sua razão, a partir de suas experiências pessoais, mas o conhecimento científico tem uma superioridade na tomada de decisões coletivas, por estar alicerçado em estudos comprobatórios. Além disso, tudo na sociedade é decidido para atender à coletividade.

O Brasil vive momento de sombras no apoio estatal para a ciência, e cada vez mais vive dependente de soluções científicas importadas, conforme o contido na página 71, do livro “Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro vol. 1, Pubifolha, 2000”, de Raymundo Faoro: “A utilização técnica do conhecimento científico, uma das bases da expansão do capitalismo industrial, sempre foi, em Portugal e no Brasil fruta importada.

Muitas autoridades, ainda, defendem termos desemprego devido ao custo total da mão-de-obra e não percebem necessitarmos de mão-de-obra com qualificação, com esforço para diminuir a evasão dela. Assim, mesmo nosso país sendo mais rico em recursos naturais do que diversas nações (Japão, Coreia do Sul, etc.), vemos essas estarem mais inseridas no mundo atual, informatizado e robotizado e absorvedor de mão-de-obra especializada.

Então, se a realidade econômica necessita de mais qualificação, O Brasil deve fortalecer toda a sua academia, impulsionar a pesquisa e valorizar as pessoas com conhecimento importante para o país.

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