Da Redação

Faltando uma semana para o fim da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, iniciada em 10 de abril e que se encerrará na próxima sexta-feira (31), em Formiga, apenas o grupo de puérperas, mulheres que deram à luz recentemente, atingiu a meta estipulada pelo Ministério da Saúde, que é de 90% do público alvo da campanha.

O grupo com menor porcentagem de pessoas imunizadas é o de crianças com idade entre 6 meses e 5 anos. Das 3892 crianças que devem ser vacinadas, apenas 2261 (58,1%) já receberam a dose da vacina.

De acordo com dados enviados pela Secretaria de Saúde do município, em números totais, das 17.896 pessoas que compõem os grupos de vacinação (crianças, gestantes, portadores de doenças crônicas, puérperas de até 45 dias, profissionais da saúde e professores), 12.863 se vacinaram, ou seja, 71,88% do público alvo.

A situação é preocupante diante do pequeno prazo até o encerramento da campanha que, caso tais números sejam mantidos, pode ser prorrogada em todo o país, uma vez que o problema tem se repetido em boa parte dos municípios.

A disseminação de informações falsas sobre vacina e o medo de se contrair a doença após receber a dose estão entre os principais motivos para que a população deixe de se imunizar.

“A vacina não é contra um resfriado ou uma gripe leve, mas sim, para evitar casos mais graves da doença que podem levar pessoas à morte, principalmente as com sistema imunológico mais frágil, como crianças, idosos e puérperas. Por isso é indispensável que todos que compõem os grupos preconizados pelo Ministério da Saúde se vacinem”, esclareceu a enfermeira Berenice Penha, que está coordenando o Setor de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Formiga durante o afastamento da titular do cargo, Ana Dalva Costa.

Berenice ainda explicou sobre a necessidade de se tomar anualmente a dose da vacina contra a gripe: “Cada ano a dose é de um subtipo diferente do vírus, normalmente o que está circulando na maior parte do país. A vacina protege contra a influenza e H1N1 e não é preciso ter medo. A vacina é segura”, completou.

Sobre o relato, principalmente de idosos, de que contraíram gripe após tomarem a vacina, a profissional da epidemiologia explica que, como se trata de um período de mudanças climáticas significativas, pode acontecer de a pessoa estar com baixa resistência e ocasionalmente contrair uma gripe após se vacinar. “É algo que está previsto. Mas volto a dizer, a vacina é para proteger contra casos graves da doença”, disse.

Fake news
Não são poucas as mensagens espalhadas nas redes sociais que disseminam mentiras sobre a vacinação, que vão desde uma conspiração mundial para matar idosos e crianças para reduzir a população (sim, há quem se convença disso), ao fato de que a vacinas não são eficazes e que doses como a da tríplice viral (contra o sarampo, caxumba e rubéola) causa autismo – possibilidade descartada por meio de pesquisa publicada em março do ano passado, na revista Annals of Internal Medicine, que usou como base de análise 57.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010.

Em 2018, de acordo com informações do Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso, 90% dos focos de mentiras na internet eram sobre vacinas. Também no ano passado, em seis meses, o Ministério da Saúde identificou 185 focos de fake news na internet sobre o recebimento das doses. O resultado de tantas informações falsas é que nos últimos anos, houve no país queda significativa nas taxas de imunização contra doenças como sarampo e poliomelite.

Com tantas mentiras circulando, o melhor caminho é procurar profissionais de confiança ou os postos de saúde da cidade para se informar e evitar os males que a falta da vacina pode trazer. “Procurem as enfermeiras dos PSFs. Elas estão 100% preparadas para tirar todas as dúvidas da população sobre esta e todas as demais vacinas do calendário vacinal”, encerrou Berenice.

Precauções
Com a queda das temperaturas na última semana, a circulação de vírus é facilitada, principalmente pelo fato de se tornarem mais comuns a aglomeração de pessoas nos mesmos espaços e a permanência em ambientes fechados, o que pode levar a um aumento nos casos de gripe. Ambas as situações devem ser evitadas.

Além disso, é importante deixar portas e janelas abertas em casa durante o maior tempo possível e retomar bons hábitos como o uso de lenços descartáveis e a esterilização de utensílios e alimentos e ainda, das mãos por meio da lavagem com sabão ou uso de álcool em gel.

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