O posicionamento do Governador com relação à possibilidade de abertura de CPIs que pretendam investigar e apontar os culpados pelas tragédias de Mariana e de Brumadinho; assim como as últimas falas de Romeu Zema com relação às medidas de descomissionamento de barragens que, esta semana, culminaram com a interdição de parte da rodovia BR-356 (BH-Ouro Preto) e a retirada de inúmeras famílias mineiras de suas residências, tudo em nome da segurança, têm gerado “incômodo” entre o governo e órgãos de imprensa.
Nós mesmos, em editorial publicado na edição 1146 – replicado em nosso portal de notícias (Últimas Notícias), no início deste mês, fomos alvo de reclamação por parte da assessora chefe de comunicação da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), sob a alegação de que aquele órgão e o governo não concordavam com nosso posicionamento crítico sobre a manutenção, na atual administração, do secretário que serviu a Pimentel e mais ainda, de nossas queixas quanto a indicação para a presidência da Feam, exatamente do então diretor de Gestão e Resíduos que, em nossa ótica, talvez pudesse haver detectado antes, aquilo que, afinal, resultou na tragédia.
Democraticamente, na edição seguinte publicamos na íntegra a resposta assinada pela jornalista Valquíria Lopes, embora a mesma contivesse apenas os currículos dos questionados e em momento algum, respondesse nossas indagações.
Nessa quinta feira (21), nos deparamos com matéria publicada pelo jornal “O Tempo” dando conta de que alguns parlamentares relatam que há pressão do governo mineiro na tentativa de se evitar uma CPI que investigue o crime de Brumadinho. Diz o articulista Ricardo Corrêa, na coluna Política e Análise, que o jornal tem sim, apontado situações estranhas neste atual governo, as quais em muito se assemelham àquelas protagonizadas pelo governo anterior. Afirma que, recentemente, o jornal mostrou que o Estado contratou um acusado de estupro para uma diretoria regional da Secretaria de Desenvolvimento Social e lembra que o conteúdo saiu na coluna Aparte, a mesma coluna que, em 2015, apontou que o governo de Pimentel havia nomeado um assaltante foragido para o cargo. Em ambos os casos, diz ele, foi a publicação do jornal que forçou as exonerações, evitando que o cidadão mineiro fosse representado por cidadãos que, definitivamente, não estão acima de qualquer suspeita.
Se o país e também o Estado podem agora mudar de rumo, o que ficou claro pelo resultado das últimas eleições, nitidamente demonstrado como sendo a vontade da maioria de nosso povo, as mudanças, certamente, virão mais facilmente se os órgãos de imprensa, enquanto informativos e fiscalizadores, não vierem a ser cerceados em sua missão constitucional de mostrarem a verdade dos fatos. Ainda que isto doa, a quem doer!

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