A Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (Accom) publicou uma carta aberta alertando o Governo de Minas, sobre a paralisação de cirurgias em pacientes oncológicos. Por causa da Onda Roxa, 170 procedimentos já foram suspensos. Médico do setor afirma que todas as cirurgias oncológicas são essenciais.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) disse que a deliberação 130, que estabelece os protocolos da Onda Roxa, não cancela as cirurgias oncológicas de maior gravidade. Já as cirurgias eletivas estão suspensas em decorrência da pandemia da Covid-19 para maior controle de estoque de medicamentos.

O médico cirurgião oncológico, Gustavo Aurichio, está bastante preocupado com a suspensão. Ele afirma que de uma semana para outra o quadro dos pacientes podem mudar e se agravar severamente.

“Esse paciente com certeza, vai ter uma condição de tratamento muito pior. Isso vai impactar no futuro, no tempo de acompanhamento dele e no aumento das chances de ele ter uma reincidência do tumor.

O cirurgião ainda alerta que a suspensão dos procedimentos precisa ser revista. “O tratamento do câncer precisa ser prioritário. Deveria ser prioridade e assim sempre foi tratado inclusive em relação a outras doenças”, pontuou.

O que preocupa a Acccom é que a decisão de suspender os procedimentos interfere na independência do médico em afirmar que o paciente precisa passar por um procedimento cirúrgico. Enquanto isso, a fila para realização de cirurgias só aumenta.

“Semanalmente são feitos em média 70 procedimentos, então estamos indo para terceira semana de interrupção. Até semana passada a gente tinha um número de 140 procedimentos suspensos”, disse o gerente geral da Accom, Igor Fernando de Oliveira.

Carta aberta

A carta elenca pontos importantes e faz advertências sobre um possível agravamento da crise em saúde pública, caso os procedimentos sejam mantidos suspensos. Há ainda, a sugestão da criação de um comitê para organizar a realização dos procedimentos. Confira parte da carta aberta abaixo:

“Solicitamos que sejam retomadas as cirurgias em pacientes oncológicos imediatamente, ficando ao critério da equipe médica responsável a escolha de casos que impactarão menos no uso de vagas de UTI além de optar por aqueles que demandarão tempo de internação menos prolongado possível.

Advertimos, que a persistência no retardo de procedimentos curativos do câncer, em especial os cirúrgicos, ocasionarão a médio prazo, o aumento substancial de óbitos por doenças tratáveis, este represamento pode criar outra “onda” de impacto no sistema de saúde, junto à crise econômica prevista após a resolução de Covid-19.

Sugerimos, a criação de um “Comitê Cirúrgico Oncológico” liderada pelo órgão regulador defeitos do Estado, mas com a representação do município, do prestador de serviço, dos profissionais médicos cirurgiões, e por fim dos pacientes. Este por último, possa ser representado por esta associação, onde o objetivo deste comitê seria decidir sobre as prioridades e indicações cirúrgicas.

Fonte: G1

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