A Secretaria de Estado de Cultura divulgou na segunda-feira (19) o resultado do Prêmio do Governo de Minas Gerais de Literatura 2016. A divinopolitana Adélia Prado é a vencedora do prêmio na categoria Conjunto de Obra. É a primeira vez que uma mulher ganha a premiação nesta categoria.

Adélia foi escolhida, por unanimidade, pelo júri composto pelos professores Guiomar de Grammont (UFOP), Ruth Silviano Brandão (UFMG) e Luis Augusto Fischer (UFRS). A cerimônia de entrega do prêmio irá ocorrer na capital mineira em data a ser marcada.

Na categoria Ficção (Romance) a obra vencedora foi “Floresta no fim da rua”, de Silvio Rogério Silva. As menções honrosas foram para a obra “Começo em mar”, da escritora Vanessa Maranha, e para “Pela primeira vez em muito tempo”, de Vinícius Bopprê Oliveira. Já na categoria Poesia, a obra vencedora foi “Um carro capota na lua”, do autor Tadeu de Melo Sarmento. O Jovem Escritor dessa edição é Jonathan Tavares Diniz, que venceu com o projeto “Cólera”.

Ao todo, o Prêmio do Governo de Minas Gerais de Literatura distribui a quantia de R$258 mil, sendo R$30 mil para a categoria Ficção, R$30 mil para Poesia, R$48 mil na categoria Jovem Escritor e R$150 mil na categoria Conjunto da Obra.

Segundo Ruth Silviano Brandão, a obra de Adélia Prado inaugurou na literatura brasileira uma poesia que se abriu para o feminino, o erotismo e o místico. E com uma dose de humor que aponta para o cotidiano e para a simplicidade, sem nunca cair na facilidade dos estereótipos e que permanece com seu vigor na cena literária. “A obra de Adélia revela um trabalho de escrita inovador, às vezes paradoxal e surpreendente, até o momento atual, pois, como afirma em um de seus poemas, ‘A palavra édisfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,/foi inventada para ser calada’”, afirma a professora Ruth.

Já para Luis Augusto Fischer, Adélia é uma das escassas figuras de indiscutível primeiro plano na literatura brasileira atual. “Ela é autora de obra relevante em todos os sentidos cabíveis: não é desconhecida de nenhum leitor culto, conta com muitos leitores apaixonados, é objeto de importantes estudos acadêmicos e empolga até na forma adaptada para teatro”, afirma Fischer.

O secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, destaca o fato de o prêmio, com dimensão nacional, ser atribuído pela primeira vez a uma mulher, sendo ela uma mineira. Para ele, no entanto, “é pleonasmo dizer que Adélia é mineira, pois a alma de Minas Gerais está guardada no seu coração de poeta”.

Adélia Prado

Mineira de Divinópolis, Adélia nasceu em 1935. Formou-se em magistério e filosofia. Em 1976, publicou “Bagagem”. Já em 1978 foi a vez de “O coração disparado”, agraciado com o Prêmio Jabuti. Sua estreia em prosa se deu no ano seguinte, com o livro “Solte os cachorros”. Em seguida, publicou “Cacos para um Vitral”. Em 1981, lançou “Terra de Santa Cruz” e, em 1984, “Os componentes da banda”.  Em 1991 foi publicada sua “Poesia reunida”. Em 1994, após anos de silêncio poético, ressurgiu com o livro “O homem da mão seca”. Em 1999, foram lançados “Manuscritos de Felipa”, “Oráculos de maio” e sua “Prosa reunida”.

(Foto: Raquel Gondim/G1/Arquivo)

 

Fonte: G1 ||

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