Durante os protestos do último domingo (17), Dilma Rousseff ficou reclusa no Palácio do Planalto com sua tropa de ministros. Apesar do esforço de jornalistas de plantão, as informações não circularam, isto é, o que acontecia dentro do local não transpareceu. Nesse sentido, cumpre aos analistas imaginar o teor da reunião. Tamanha foi a ressonância das manifestações populares – com repercussão no exterior, inclusive – que só consigo pensar em uma coisa: preocupação, muita preocupação.

O governo, entretanto, lacrou sua tensão ao limite das portas do Planalto. O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, surgiu como porta-voz do governo. Da cúpula, ele foi o primeiro a se manifestar, mas somente na segunda-feira (18). Edinho fez um apelo para que o Brasil quebre o clima “pessimismo” e “intolerância” que, na visão dele, assola o país. O ministro ainda informou que a presidente intenta intensificar o diálogo com a sociedade, a fim de encontrar soluções para o Brasil.

Até o depoimento de Edinho, o governo se resumiu a dizer que os protestos estavam dentro da “normalidade democrática”. Este tipo de frase pronta funciona como um escudo que busca manter incólume a integridade da gestão. Na prática, todavia, os movimentos sociais recentes fomentam uma grande anormalidade na democracia, pois o povo pede o impeachment, oito meses depois, de uma presidente eleita pelo voto popular. O governo, inexplicavelmente, fecha os olhos para isso.

Atenta, a oposição não deu trégua. No Facebook, Fernando Henrique Cardoso afirmou que os protestos mostram que o governo, embora legal, é “ilegítimo” e sem “base moral”. Sugeriu que Dilma deveria ter a “grandeza” de renunciar ou admitir seus erros. Por um lado, o tucano está certo, pois reconhecer os próprios equívocos, abertamente, nunca esteve nos planos da presidente. Penso que a negação aos problemas pode ser fatal em curto prazo.

Dilma Rousseff ainda tem a possibilidade de se reerguer, desde que repense sua forma de gestão. Do contrário, não termina o mandato. Ela poderia pensar o Brasil com o mesmo entusiasmo que pedala sua bicicleta pelas ruas de Brasília: leve, tranquila e atenta aos percalços do caminho. Neste momento, o povo não quer discursos prontos ou frases vazias de esperança. O povo quer saídas para esta interminável crise. Aguardemos os próximos episódios.

 

Gabriel Bocorny Guidotti

Bacharel em Direito e estudante de jornalismo

 

 

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