Lamentável, para sintetizar todos os adjetivos da tragédia ocorrida em Mariana com o rompimento da barragem de lama industrial e suas consequências, como as perdas de vidas, danos ambientais e econômicos que nos marcarão por muito tempo.

Até que o fato mais uma vez seja esquecido como tantos outros do naipe que com o tempo são anestesiados nos sentimentos e lembrança da população, espera-se que pelo menos a desgraça sirva para despertar medidas de prevenção adequadas, para evitar futuros acontecimentos pares ou para melhorar a forma de tratar se ocorrerem de novo estes casos.

Na análise desta tragédia de Mariana está ficando claro que existem outras bombas relógio do gênero esperando apenas a conjunção tempo e oportunidade para serem deflagradas, como já ficou claro também o despreparo do país, povo, empresas e principalmente direção governamental e jurídica sob a forma adequada de tratar tais eventos.

Uma situação que se aflora igualmente nestes casos de tragédias, são as convocações à solidariedade da população para ajudar as vítimas, com toda a sorte de doações.  Existe o lado bom desta ajuda, porém temos também o lado brasileiro. Lembramo-nos de enchentes no sul do país onde a população foi convocada, sem qualquer controle ou estimativa de volume, com detecção que grande parte das doações estavam sendo submetidas a processos de triagem em grandes depósitos de transportadoras e intermediários, onde os itens de melhor qualidade simplesmente eram retirados do rol em benefício da habitual parcela de larápios da população. Em alguns casos, lotes inteiros, carretas e mais carretas de bens simplesmente nunca chegaram ao destino e isto foi amplamente denunciado e documentado, porém o assunto sumiu no meio de tantas mazelas em que vivemos.

No caso específico de Mariana, o prefeito deu declarações claras de que não era para mandar mais alimentos e roupas, pois inclusive nem tinham mais lugar para guardar, porém aceitariam água potável que é a necessidade do momento.

Ora, para abastecimento de água destes locais, faltou claramente atitude governamental e judicial, como também a ação dos responsáveis econômicos pela tragédia, pois poderiam já ter sido abertos poços artesianos provisórios em situação emergencial em vários pontos da região e a compra de água em galões em fornecedores com transporte em escala industrial, por atacado, pagos por quem deve. Talvez até num desvio de foco e fuga de responsabilidade, preferiu-se fazer a convocação indiscriminadamente em todas as cidades, que o povo enviasse garrafas de água mineral, compradas num estilo “formiguinha” em supermercados, estabelecendo-se postos de coletas variados nas cidades e posterior envio aos flagelados.   

 

Enquanto isto, as atitudes que deveriam ser tomadas administrativamente por quem de direito, simplesmente estão negligenciadas mais uma vez.

Roberto Barbieri – Passos/MG

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