Reunião Alago – Foto: Divulgação

Por Paulo Coelho

Na segunda feira (11), durante reunião da diretoria da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), dois artigos, recentemente publicados pelo jornal Nova Imprensa/portal Últimas Notícias, foram debatidos.

Ambos versavam sobre o abuso que as autoridades federais têm cometido contra os municípios lindeiros de Furnas e os demais que compõem a bacia, quando se comprova que o esvaziamento do lago, em especial nos últimos anos, não se deve apenas ao uso das águas para a produção de energia.

Dados obtidos junto ao Operador Nacional do Sistema (ONS) demonstram que a vazão tem se dado em função da necessidade de regularizar e permitir as condições de navegabilidade na hidrovia Paraná-Tietê.

Com isto, o múltiplo uso das águas, está sendo desrespeitado e os prejuízos causados aos municípios mineiros em diversas áreas têm sido incalculáveis. A economia regional vem sendo seriamente afetada pois as atividades que dependem da manutenção de um nível aceitável no Lago de Furnas, como ocorria até 2015, praticamente foram dizimadas e o prejuízo econômico e social tornou-se insuportável. A exploração turística, com todas as suas variáveis (Hotelaria, pesca, esportes náuticos, restaurantes, etc), a piscicultura cujos tanques flutuantes acabaram atolados na lama; atividades agrícolas e de agropecuária que dependem da irrigação para a manutenção e tantas outras, se tornaram inviáveis e causam desemprego na região.

É certo que Furnas teve autorização para construir um lago, visando a acumulação de água para gerar energia. Para tanto, foram desapropriadas as terras mais férteis (várzeas) dos municípios, o que causou o empobrecimento de muitos, inclusive gerando mortes e suicídios de muitos, como é sabido. À época, vendeu-se a ideia do multiuso das águas, o que agora, parece não mais valer! Mantendo o lago abaixo de 35% de seu volume útil, ficam inviabilizadas todas as demais atividades econômicas que dele dependem.

A reunião

Reunião Alago – Foto: Divulgação

Participaram do encontro, os seguintes prefeitos: Hideraldo Henrique Silva (presidente da Alago) – Boa Esperança; Nelson Lara – Guapé; Tião Nara – Carmo do Rio Claro; Rossano de Oliveira – Coqueiral; Djalma Carvalho – Cristais.

Também estiveram presentes, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Alysson Sá, que representou o prefeito de Formiga e Fausto Costa, o secretário executivo da Alago, representando a cidade de Alfenas.

Coube ao jornalista Paulo Coelho e ao advogado Euler Vespúcio, assim como a João de Assis, explanarem e defenderem os diversos aspectos da importância do Lago de Furnas.

Alago

A direção da Alago, sensível ao problema, marcou para o dia 22 deste mês, Dia Mundial das Águas, reunião plenária com a presença de prefeitos e outros representantes dos 39 municípios para traçar as diretrizes que nortearão a luta junto aos órgãos federais. “Temos que fazê-los agir com rapidez e eficiência na defesa dos interesses ‘dos lindeiros mineiros’”, disse o presidente da Alago, Hideraldo Henrique Silva. A reunião com início previsto para ocorrer a partir das 9 horas do dia 22, acontecerá na Câmara Municipal da cidade de Nepomuceno e os convidados serão recepcionados pela anfitriã, prefeita Isa Menezes.

Poderá participar da reunião, o professor Afonso Henriques Moreira Santos, engenheiro eletricista, consultor, ex-diretor da ANEEL – de 1997 a 2000, profundo conhecedor e estudioso do assunto em pauta, que está sendo convidado pelo secretário da Alago, Fausto Costa.

Prefeito de Formiga

Em entrevista exclusiva ao portal, o prefeito de Formiga Eugênio Vilela reafirmou a luta em favor da causa e disse que o município  também está cerrando fileiras junto à Alago. Relembrou sua recente visita à Brasília, quando o assunto foi tratado junto a autoridades federais.

 

 

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