Algumas escolas já trabalham com dois professores para uma sala

Essa é uma proposta da própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB), mas as iniciativas existentes no país ainda são tímidas.

Essa é uma proposta da própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB), mas as iniciativas existentes no país ainda são tímidas.

Multidisciplinaridade. A palavra parece até um palavrão, mas o termo indica o início de uma nova história educacional. Algumas escolas mineiras, sobretudo unidades particulares, já começaram a ?desengessar? o quadro de horários para misturar as matérias. Essa é uma proposta da própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação brasileira, mas as iniciativas existentes no país ainda são tímidas. No geral, as instituições de ensino médio ainda estão estritamente focadas nas provas que garantem o ingresso para o ensino superior.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou a mudar esse horizonte nos últimos anos, já que se trata de um teste no qual não é possível ensinar apenas as ?pegadinhas? dos vestibulares do passado, considerados excludentes. Apesar disso, ainda é urgente transformar a repetição mecânica em criatividade, conformidade em diversidade, passividade em iniciativa, como aponta o site Rescola (rescola.com.br), que discute essa mudança no ensino.
O doutor em educação Juarez Dayrell acredita que, hoje, as escolas ainda estimulam que os alunos estudem antes das avaliações ? mas depois eles acabam se esquecendo do conteúdo. ?Os tempos escolares são antigos e trazem um conjunto de matérias em um mesmo dia, sem relação entre elas. E hoje o menino só pensa no Enem. Há colégios que fazem simulados toda sexta-feira à tarde, quando o jovem certamente prefere estar com os amigos?, destaca Dayrell. Segundo ele, uma aula de 50 minutos para 50 adolescentes não é uma atividade estimulante. ?Para passar um filme em sala, por exemplo, um professor tem que negociar com o outro?, completa.
No Colégio Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, as docentes de matemática e português trabalham juntas no projeto Conhecendo as Profissões. Os alunos pesquisam no seu meio social como o conteúdo matemático se aplica às diversas carreiras e produzem um texto para apresentar na sala. Os estudantes pareciam mais interessados na aula.
?Esse é um movimento novo. Temos a LDB, mas ao mesmo tempo exigem novas disciplinas. Estamos começando a trabalhar com a perspectiva de que o conhecimento não é de uma matéria só e, com isso, pensamos mais nos fenômenos do dia a dia?, explica o coordenador pedagógico do Padre Eustáquio, Gustavo Magalhães.
Pacto
A discussão sobre o lugar de cada disciplina criou corpo a partir do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, no fim de 2013. ?Por que temos aulas de educação física duas horas por semana? Quanto à matemática, qual a carga horária ideal? Qual a relação de conteúdos afins e o que pode ser trabalhado pelo mesmo professor? Estamos debatendo tudo isso?, diz Lícinia Correa, representante da UFMG no pacto.
Para Renato Carvalho, colaborador do site Rescola, a diferença entre a educação que temos e a que queremos está na capacidade de transmitir os valores que os jovens precisam para realizar plenamente seu potencial e contribuir para a sociedade. ?O Brasil não pode ficar para trás nessa revolução?

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Sobre o Autor

André Ribeiro

Designer do portal Últimas Notícias, especializado em ricas experiências de interação para a web. Tecnófilo por natureza e apaixonado por design gráfico. É graduado em Bacharelado em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Algumas escolas já trabalham com dois professores para uma sala

Essa é uma proposta da própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB), mas as iniciativas existentes no país ainda são tímidas.

Essa é uma proposta da própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB), mas as iniciativas existentes no país ainda são tímidas.

Multidisciplinaridade. A palavra parece até um palavrão, mas o termo indica o início de uma nova história educacional. Algumas escolas mineiras, sobretudo unidades particulares, já começaram a “desengessar” o quadro de horários para misturar as matérias. Essa é uma proposta da própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação brasileira, mas as iniciativas existentes no país ainda são tímidas. No geral, as instituições de ensino médio ainda estão estritamente focadas nas provas que garantem o ingresso para o ensino superior.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou a mudar esse horizonte nos últimos anos, já que se trata de um teste no qual não é possível ensinar apenas as “pegadinhas” dos vestibulares do passado, considerados excludentes. Apesar disso, ainda é urgente transformar a repetição mecânica em criatividade, conformidade em diversidade, passividade em iniciativa, como aponta o site Rescola (rescola.com.br), que discute essa mudança no ensino.

O doutor em educação Juarez Dayrell acredita que, hoje, as escolas ainda estimulam que os alunos estudem antes das avaliações – mas depois eles acabam se esquecendo do conteúdo. “Os tempos escolares são antigos e trazem um conjunto de matérias em um mesmo dia, sem relação entre elas. E hoje o menino só pensa no Enem. Há colégios que fazem simulados toda sexta-feira à tarde, quando o jovem certamente prefere estar com os amigos”, destaca Dayrell. Segundo ele, uma aula de 50 minutos para 50 adolescentes não é uma atividade estimulante. “Para passar um filme em sala, por exemplo, um professor tem que negociar com o outro”, completa.

No Colégio Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, as docentes de matemática e português trabalham juntas no projeto Conhecendo as Profissões. Os alunos pesquisam no seu meio social como o conteúdo matemático se aplica às diversas carreiras e produzem um texto para apresentar na sala. Os estudantes pareciam mais interessados na aula.

“Esse é um movimento novo. Temos a LDB, mas ao mesmo tempo exigem novas disciplinas. Estamos começando a trabalhar com a perspectiva de que o conhecimento não é de uma matéria só e, com isso, pensamos mais nos fenômenos do dia a dia”, explica o coordenador pedagógico do Padre Eustáquio, Gustavo Magalhães.

Pacto

A discussão sobre o lugar de cada disciplina criou corpo a partir do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, no fim de 2013. “Por que temos aulas de educação física duas horas por semana? Quanto à matemática, qual a carga horária ideal? Qual a relação de conteúdos afins e o que pode ser trabalhado pelo mesmo professor? Estamos debatendo tudo isso”, diz Lícinia Correa, representante da UFMG no pacto.

Para Renato Carvalho, colaborador do site Rescola, a diferença entre a educação que temos e a que queremos está na capacidade de transmitir os valores que os jovens precisam para realizar plenamente seu potencial e contribuir para a sociedade. “O Brasil não pode ficar para trás nessa revolução”

Redação do Jornal Nova Imprensa

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Sobre o Autor

André Ribeiro

Designer do portal Últimas Notícias, especializado em ricas experiências de interação para a web. Tecnófilo por natureza e apaixonado por design gráfico. É graduado em Bacharelado em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

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