O zunzum de pernilongos não deixa muita gente dormir, mas, se tem um mosquito que, mesmo sem fazer barulho, tem tirado o sono e alarmado a população, esse é o Aedes aegypti. Proliferando-se rapidamente pelo país, o inseto rajado de preto e branco transmite doenças que podem levar à morte e que já viraram epidemias, como a dengue, a chikungunya e o zika.

“Com as condições climáticas do Brasil e o excesso de criadouros, esse mosquito se reproduz facilmente e tem se adaptado tanto às condições urbanas que, ao contrário do que muitos pensam, tem conseguido procriar não só em água limpa, como também nas que possuem grau de poluição”, comenta o infectologista Rodney Martins.

Segundo ele, como ainda não há tratamento específico para as epidemias causadas pelo Aedes aegypti, a população precisa se empenhar no combate ao mosquito. “A maioria dos criadouros está na casa das pessoas. Eliminá-los já é uma forma de contribuir para o controle”, orienta o infectologista, que diz que para que os ovos não se desenvolvam não basta apenas secar os possíveis locais de proliferação, é preciso limpá-los bem.

“Água sanitária pode matar as larvas. Misturada na água, pode ser utilizada para regar plantas e evitar que o mosquito chegue à fase adulta”, comenta a infectologista Virgínia Zambelli, da Sociedade Mineira de Infectologia.

Segundo ela, muita gente acredita que colocar borra de café na terra ou na água das plantas mata os ovos do mosquito, mas não há comprovação da eficácia desse método, assim como não há evidências que comprovem que os usos de citronela e do fumacê evitam a picada do inseto.

“Tais métodos não são validados por órgão de saúde, portanto, não é seguro adotá-los como ações de combate ao Aedes aegypti. As pessoas precisam se informar antes de tomar algumas medidas”, alerta a infectologista.

De acordo com ela, muita gente não sabe, mas é possível contrair o vírus zika, o da dengue e o da chikungunya ao mesmo tempo. “Normalmente, esses vírus ficam incubados de cinco a sete dias no organismo”, explica ela, reforçando que apenas médicos são capazes de orientar pacientes, portanto, devem ser procurados ao surgirem sintomas suspeitos dessas doenças. “A população, muitas vezes, tem gerado diagnósticos de modo errôneo, o que contribui para a propagação de tantos mitos e até para o agravamento das enfermidades. Em caso de dúvidas, o recomendado é procurar um especialista”, finaliza.

Mitos

– Ar-condicionado e ventilador podem afastar o Aedes aegypti, mas não impedir as suas picadas.

– Para eliminar totalmente os ovos do mosquito, não basta apenas secar os possíveis criadouros, é preciso limpá-los.

– Não há comprovação de que borra de café na água das plantas mata os ovos. Segundo especialistas, o Aedes aegypti tem se desenvolvido inclusive em água poluída.

– Doenças relacionadas ao Aedes aegypti não são transmitidas apenas no verão. Como o Brasil tem condições climáticas e ambientes favoráveis à proliferação do mosquito, pessoas podem ser contaminadas durante todas as estações do ano.

– O mosquito voa a cerca de 1,5 m do chão, mas isso não significa que ele pica apenas pernas e pés. Outras partes do corpo também podem ser picadas.

– Nem todas as gestantes infectadas com o zika vírus dão à luz bebês com microcefalia.

 

Óleos no combate ao mosquito
Óleos de orégano e de cravo podem virar aliados no combate ao Aedes aegypti. Pelo menos é o que atesta uma pesquisa desenvolvida pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), em parceria com Fundação Ezequiel Dias (Funed). Liderado pela bióloga e professora de biologia molecular Alzira Batista Cecílio, o estudo comprovou que tais óleos podem matar as larvas do mosquito. O próximo passo agora é desenvolver a fórmula para um larvicida, que será colocado à disposição do mercado.
“Queremos um larvicida que seja degradado rapidamente e não contamine a água, ao mesmo tempo que tenha boa eficácia”, explica Alzira, salientando que o objetivo é desenvolver um produto que não afete o meio ambiente.
Empenho

Segundo a bióloga, o orégano e o cravo foram selecionados após análise de mais de 20 plantas. O óleo desses elementos foi extraído com o uso de equipamentos específicos e, em contato com o criadouro, matou as larvas em até 24 horas.
De acordo com Alzira, a expectativa é que até o meio do ano a formulação já esteja pronta para ser apresentada à indústria. “Produto natural não pode ser patenteado. Então, só após a formulação do larvicida poderemos patentear e iniciar as negociações com as empresas”, afirma a pesquisadora.
Alzira diz ainda que, futuramente, está previsto também o teste desses óleos no combate a outras fases de vida do mosquito, mas ressalta que o produto é apenas uma ferramenta auxiliar para combater o Aedes. “Eliminar os criadouros continua sendo o ponto-chave”, reitera.

 

Fonte: O Tempo Online ||

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