Na semana passada, acadêmicos do 2º período do curso de arquitetura e urbanismo do Unifor-MG apresentaram um trabalho desenvolvido na disciplina de plástica e modelagem. Um desfile de estilos arquitetônicos foi realizado na sala de danças do Centro Universitário de Formiga.
Durante o desfile, os estudantes representaram oito estilos arquitetônicos em vestimentas que não poderiam conter tecidos ou costura a máquina. O processo envolveu, além da criatividade, a necessidade do conhecimento das medidas do corpo humano como parâmetros para a confecção dos vestuários. Agulhas, linhas, cola, grampos e tesoura foram alguns dos materiais utilizados para que os alunos produzissem as peças ao trabalharem a arte da costura e criarem o inusitado. Planejamento, estratégia e trabalho em equipe foram requisitos básicos para que alcançassem os objetivos propostos.
A estudante que representava a ?Arte Nova? foi a primeira a desfilar, trazendo a valorização de temas ligados à natureza, elementos orgânicos, como florais e arabescos, buscando retratar essas formas por meio de flores trabalhadas no papel dourado e curvas douradas imitando o ferro forjado.
O segundo modelo apresentava o estilo ?Barroco?. A aluna representava a monarquia europeia na época do Brasil colônia, roupas extremamente sofisticadas e ricas em detalhes em rococó.
A terceira aluna a desfilar levou para a passarela o ?Desconstrutivismo?, estilo arquitetônico próprio da era pós-moderna, com início no final dos anos 80, caracterizado pelo desenvolvimento de traços não lineares e fragmentados, cujo princípio da ideia é distorcer a base da arquitetura.
O quarto modelo representava o ?Futurismo?, com formas geométricas e ar de ?novo, inusitado e abstrato?, destacando os tons fortes e as cores vivas. A expressão que mais caracteriza este estilo é a multiplicidade de imagens reunidas em uma só obra.
Na representação do estilo ?Gótico?, que é a evolução da arquitetura romântica, a estudante trouxe no modelo abóbadas e cúpulas em formato pontiagudo e ainda pedras coloridas representavam os vitrais e rosáceas que iluminavam o ambiente interno das igrejas desse estilo.
A ?Arquitetura Grega? era o tema do sexto grupo que apresentou um casal de estudantes para representar as colunas gregas em especial Jônica e Dórica. Nas colunas Jônicas, com características femininas, foram usadas como inspiração as curvas das volutas em seu capitel. As colunas Dóricas representavam o masculino. A roupa de Efesto não foi diferente, simples, com poucos detalhes, apresentava leveza, como a personalidade do homem.
O sétimo grupo desenvolveu o conceito ?kitsch?: arte e estética barata e vulgar. A definição dessa arte não é fácil, pois baseia-se, geralmente, em juízos de valor, mas geralmente é visto como sinônimo de algo banal, barato e de mau gosto. O conceito ?kitsch?, muitas vezes, é considerado uma oposição completa ao conceito de arte, enquanto, outras vezes, ele é aceito como arte, mas de má qualidade.
Por último, foi apresentada a ?Arquitetura Minimalista? que se caracteriza pela presença de planos perpendiculares, formando formas volumétricas simples que valorizam a geometria. Sobressaem as cores neutras. Os elementos utilizados em seu projeto trazem para a obra um ar de sofisticação e modernidade.
Para o aluno Leandro Martins, ?é muito importante estudar culturas antigas e a coordenadora Hiveline teve uma ideia surpreendente de mesclar arquitetura com moda. Tivemos que tirar as medidas, trabalhar dentro da arquitetura mesmo, porém, fazendo uma roupa, isso que foi bem interessante?.
A acadêmica Jeane Lacerda também enfatizou a importância do trabalho. ?Fazer esse trabalho foi uma experiência bastante interessante e pudemos aplicar os conceitos da arte ?kitsch? na arquitetura e principalmente nos objetos de decoração. Foi um desafio trazer a Arquitetura para o mundo da moda com a confecção das roupas com materiais alternativos. Então, tivemos que usar muito a criatividade e também descobrir nossos talentos mais artesanais?.
Segundo a coordenadora do curso, Hiveline Giovani Canan, que leciona a disciplina de plástica e modelagem, os alunos apresentaram um desfile em que retrataram nas roupas os estilos arquitetônicos. ?Os materiais foram de livre escolha, porém, não poderiam usar costura a máquina e tecidos. Nessa atividade, eles desenvolveram um quesito muito básico para o curso de arquitetura que é a criatividade e outro parâmetro que eles tiveram foi lidar com as dimensões da escala humana, porque eles vão lidar com essas dimensões para o resto da vida como profissionais. Então, eles conheceram o corpo do colega para o qual projetaram as roupas, trabalharam com escalas, com medidas. Outro fator importante foi o trabalho em equipe, porque o sucesso do resultado desse trabalho é fruto do desempenho de cada aluno que participou desse processo?.

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