Por Lorene Pedrosa 

Alunos de escolas públicas de Formiga,com idades entre 10 e 14 anos, que moram em locais distantes das unidades escolares,estão fazendo a péo percurso até as unidades escolares ou arcando com os gastos do transporte público, desde o início deste mês.

Crianças e adolescentes dos bairros Geraldo Veloso e Tino Pereira, por exemplo, estão saindo de casa antes das 6h para chegarem a tempo em escolas como Aureliano Rodrigues Nunes, Rodolfo Almeida e Jalcira Santos Valadão, as duas últimas localizadas na área central de Formiga. Alguns alunos chegam a andar 10 km, somadas a ida e a volta.

De acordo com uma mãe que denunciou a situação ao Últimas Notícias, o problema está ocorrendo porque acabaram os créditos dos cartões para que os estudantes tenham acesso livre aos coletivos que circulam na cidade.

“Eu procurei a Secretaria de Educação em companhia da presidente da associação do meu bairro e me falaram que o problema estava na licitação do transporte coletivo da cidade e como nem ocorreu o processo licitatório, e, portanto, não dava para dizer quando os cartões de passe livre dos alunos seriam recarregados. Me disseram para aguardar, mas até quando? ”, disse, indignada, a mãe, moradora do bairro Geraldo Veloso.

A mesma situação tem sido vivida por alunos de bairros como Cidade Nova, Balbino Ribeiro, Santa Cruz, Mangabeiras e outros bairros da cidade, afetando mais de uma centena de alunos e de pais que não sabem o que fazer.

“Difícil demais essa situação. Não é seguro deixar as crianças andarem por um percurso tão longo e por ruas tão perigosas. Já chegam na escola exaustas. Como vão aprender? Mas também não dá para gastar quase R$10 por dia para pagar lotação”, comentou um pai.

Os créditos dos cartões dos alunos encerram no fim de fevereiro. Como o mês de março começou com o feriado de carnaval, esta terça-feira (12) foi o quarto dia letivo em que os alunos precisaram caminhar até as escolas. O medo dos pais é que com a chegada das chuvas, as crianças precisem faltar às aulas.

“Se os ônibus continuam trafegando pela cidade, porque não fazer um contrato e recarregam esses cartões? As crianças têm direito ao transporte gratuito, não é favor que estão fazendo para nós. Na verdade, estão nos tirando esse direito”,finalizou o pai.

Problemas na licitação

Desde o início do segundo semestre de 2018, a administração está buscando regularizar a situação do transporte público do município, com o intuito de aprimorar a mobilidade urbana. O novo contrato prevê que a empresa vencedora receba concessão para a prestação do serviço por 15 anos.

Quando da publicação do edital de licitação, duas empresas manifestaram interesse em participar do processo, a que há anos presta o serviço no município e uma outra de São Sebastião do Oeste, que entrou com recurso questionando dados da concorrente. O julgamento do recurso, que dependeu da apresentação de um balanço contábil, fez com que ficasse suspenso o processo licitatório.

Nesta semana o recurso foi julgado improcedente, tornando a empresa de São Sebastião do Oeste inabilitada para competir na licitação.

Com essa resolução, apenas a Viação Formiga deverá participar do processo. O envelope com a proposta da empresa já foi entregue antes da apresentação do recurso.

Em entrevista ao Últimas Notícias, o chefe de Gabinete Alex Arouca informou que a licitação já está marcada para esta quinta-feira (14), e realizada a licitação, ele acredita que na próxima semana será possível fazer o contrato, por meio de dispensa de licitação para recarregar os cartões. “Não posso garantir que na segunda-feira que vem o problema estará solucionado. Mas ainda na próxima semana os alunos poderão voltar a fazer uso dos cartões de passe livre”, disse Alex.

Sobre o motivo de a administração municipal não ter feito um contrato com a Viação Formigapara evitar que os alunos ficassem sem transporte, mesmo sendo ela a prestadora do serviço na cidade, Alex explicou que devido ao andamento da outra licitação, que estava parada por recurso, a realização desse contrato não era permitido. “Nós tentamos evitar esse problema recontratando os créditos para os cartões e então veio a informação de que não era possível”, concluiu o chefe de Gabinete.

 

 

 

 

 

 

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