Está oficialmente aberto o período para que os partidos intensifiquem as articulações em busca de deputados federais e estaduais com mandato. A janela de troca partidária teve início nessa quarta-feira (7), e o que se comenta nos bastidores da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) é que pelo menos 22 dos 77 parlamentares da Casa devem trocar de legenda. A expectativa, porém, é que as definições ocorram próximo do fim do prazo de mudança, marcado para 7 de abril.

A cautela dos parlamentares em dar a palavra final se dá por conta da incerteza. Com a campanha eleitoral mais curta, de 45 dias, os políticos estão colocando na balança se a permanência onde estão é vantajosa. Os principais pontos de reflexão dos políticos são se a sigla vai ter ou não candidato ao governo de Minas, se a coligação da agremiação vai ter chances de eleger mais deputados e se o partido vai ajudar a bancar as campanhas – essa é a primeira eleição geral sem financiamento de empresas.

Na Assembleia, a análise é que a legenda que pode perder mais nomes é o PSDB. Atualmente, são oito cadeiras, que poderiam ser reduzida para três. Dalmo Ribeiro, Gustavo Valadares, João Vítor Xavier, Luiz Humberto Carneiro e Tito Torres têm chances de deixar o ninho tucano. Oficialmente, os quatro primeiros negam essa hipótese. A reportagem não conseguiu falar com Torres.

Quem corre o risco de diminuir pela metade seu capital político no Legislativo é o PSD. Nos bastidores é dito que Dr. Wilson Batista, Duarte Bechir e Lafayette de Andrada estão articulando a saída. Esse último já está de malas prontas para o PRB e vai pleitear um cargo na Câmara dos Deputados. O PRB, por sua vez, vai perder o deputado Léo Portela, que voltará para o PR.

Os deputados evitam falar abertamente sobre esse assunto, e os partidos para os quais vão migrar, em muitos casos, ainda são uma incógnita. Isso porque as negociações são mantidas com várias agremiações. Na avaliação de interlocutores ouvidos pela reportagem, somente PT e PCdoB devem permanecer, durante a janela, com o mesmo número de deputados – nove e dois parlamentares, respectivamente. Entre os que não devem perder quadros, mas sim ampliar, estão PPS e PTB.

Outra aposta de políticos da ALMG é que três dos cinco nomes do PDT estão de mudança: Nozinho, Sargento Rodrigues e Elismar Prado. Elismar já estaria com a negociação praticamente fechada com o PROS, que não deve contar mais com a deputada Rosângela Reis. Outros nove deputados estaduais, segundo apuração, devem aproveitar a janela.

A deputada Arlete Magalhães, hoje no PV, pode ir para o PSDC. O partido Avante poderá não contar mais com os dois nomes na Casa: Bosco e Fábio Avelar. Enquanto isso, Missionário Marcio Santiago pode deixar o PR, e Neilando Pimenta, o PP. Também é comentado que o MDB, que hoje tem 13 cadeiras, deve perder um de seus nomes: Vanderlei Miranda.

O esperado é que o DEM, que poderá ter o deputado federal Rodrigo Pacheco como candidato ao comando do Estado, receba vários parlamentares. Mas, antes disso, Ione Pinheiro deve deixar a legenda. Os deputados Coronel Piccinini (PSB) e Dirceu Ribeiro (PHS) podem se filiar ao Podemos. Com essa mudança, o PHS deve perder a única cadeira no Legislativo.

Cofre

Os candidatos terão menos recursos para custear as despesas de campanha, aumentado a disputa pelo dinheiro do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário.

Maioria evita falar do assunto

Muitos deputados desconversam sobre o assunto, alegando que ainda é prematuro e que estão trabalhando para montar uma chapa competitiva na legenda em que se encontram.

Sargento Rodrigues (PDT) declarou que não vai comentar o tema por agora. Já Luiz Humberto Carneiro negou que esteja de saída do PSDB. “Nada disso. Estamos aguardando a definição de chapa no partido. Estamos trabalhando para montar uma chapa forte e competitiva. Vou continuar no PSDB”, garantiu.

Já Léo Portela confirmou que vai deixar o PRB e voltar para o PR. O caminho também vai ser tomado por seu pai, o deputado federal Lincoln Portela. “Estamos voltando porque fomos eleitos pelo PR. Prefeitos, vereadores e lideranças locais que estão no PR, e tiveram dificuldade de migrar para o PRB, nos pediram para voltar”, explicou.

Dirceu Ribeiro (PHS) contou que vai se filiar ao Podemos, no qual será vice-presidente: “Vamos procurar fazer um partido em equipe, não um partido de um só. Um partido em que todos possam se manifestar, defender o Estado e nossos municípios. E outros 20 prefeitos do PHS vão para o Podemos também”, disse.

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Fonte:

O Tempo Online