No Carnaval do “Não é Não” nem todos os homens assimilaram a frase tatuada na pele de várias foliãs pedindo respeito. De sábado (10) até quarta-feira (14), pelo menos 80 mulheres foram parar na delegacia denunciando assédio em Belo Horizonte. Os casos correspondem a 16 relatos por dia durante a festa de Momo na capital.

Dados da Polícia Civil apontam, ainda, quatro prisões em flagrante, quatro conduções e um pagamento de fiança na Delegacia Especializada de Combate à Violência Sexual da capital. Titular da unidade, a delegada Camila Miller diz que os números poderiam ser ainda maiores se não houvesse tanta subnotificação.

Constrangidas ou descrentes quanto à punição do abusador, as vítimas não levam o crime ao conhecimento das forças de segurança. Para o chefe da Sala de Imprensa da Polícia Militar (PM), major Flávio Santiago, não denunciar é um erro histórico que precisa ser corrigido. Ele afirma que o assédio deve ser combatido. “Isso vai inibir novas agressões”.

Segundo a delegada Camila Miller, não existe um alvo específico para esse tipo de agressão sexual. “Basta ser mulher. É um crime de ocasião. Não importa se a vítima é branca, negra, pobre ou rica. Qualquer uma pode ser vítima de algo assim”.

No Carnaval deste ano, o mais comum foi a importunação ofensiva ao pudor, caracterizada pela tentativa de contato físico sem autorização. Já o assédio, embora seja uma expressão usada de forma ampla na linguagem popular, só acontece juridicamente quando há relação de subordinação entre as partes, ou seja, em ambiente profissional.

Criminalidade

Apesar do número de mulheres que precisaram dar o grito para se esquivar dos agressores, o balanço da PM mostra que o Carnaval em Minas foi menos violento se comparado ao evento do ano passado.

Os furtos, principalmente os de celulares, caíram 30% de 2017 para 2018, passando de 1.030 para 1.470. Já os crimes violentos, como roubos, homicídios tentados e consumados, extorsões mediante sequestro e cárcere privado reduziram 31%, saindo de 715 ocorrências para 493 no mesmo período. Policiamento em pontos estratégicos e atuação do início ao fim da festa contribuíram para a queda das estatísticas, afirma o major Santiago.

O governador Fernando Pimentel também destacou a atitude positiva dos foliões. “Em um momento de tanta intranquilidade social, tanto sofrimento, Minas Gerais mostrou que é possível ter um intervalo de alegria”, disse. Ele lembrou que, no interior, os crimes violentos caíram 37%, passando de 2.071 para 1.306.

 

 

 

Fonte: Hoje em Dia||

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