Da redação

Nestes 41 dias de governo, completados nesta sexta-feira (10), a gestão Eugênio Vilela divulgou inúmeras ações e providências tomadas em vários setores da administração, na busca de soluções para os problemas encontrados.

Na mais importante área, no entender da população, a da Saúde, apesar das providências de ordem administrativa já em vigor, a população ainda se ressente de medidas práticas que solucionem problemas como a falta de atendimentos médicos e até mesmo no prejuízo do atendimento por falta de medicamento e/ou de insumos básicos.

Além da situação crítica recorrente no Pronto Atendimento Municipal (PAM) que vem enfrentando problemas relacionados à falta de insumos básicos como medicamentos, lençóis, produtos de limpeza e até de papel higiênico; a população tem usado as redes sociais para reclamar da falta de médicos nos postos e o não cumprimento do horário de trabalho, por alguns profissionais.

Falta de médicos

Em janeiro de 2016, o Nova Imprensa divulgou uma matéria referente à falta de médicos nos Postos de Saúde da Família (PSFs). Na época, metade dos postos do município estava sem atendimento, em face das férias dos profissionais, o que afetou pacientes com pedidos de exames complexos e idosos com problemas graves de saúde que se viram obrigados a recorrer a médicos particulares.

Segundo reclamações nas redes sociais, nesse ano repetiu-se o problema. O merecido gozo às férias dos profissionais também afetou os pacientes. É óbvio que em razão das férias escolares, também eles, como a maioria dos trabalhadores, procuram gozar tal direito nesta época do ano. Médicos de alguns postos de saúde entraram de férias e, segundo diversos pacientes, não foram disponibilizados profissionais substitutos, deixando, mais uma vez, a população a mercê do acaso.

Assim sendo, pacientes, com os mais diferentes problemas de saúde e que dependem da renovação de receita para manter o tratamento, enfrentaram dificuldade e tiveram que recorrer a consultas particulares. Só que, por questões burocráticas, ainda tiveram seus pedidos de exames negados no laboratório que atende o município.

Um dos casos é o da paciente do posto Vila Didi, Adriana Maria Rodrigues. Ela sofre de fibromialgia e não pode ficar sem medicação. Adriana entrou em contato com o jornal informando que não conseguia renovar a receita. “Fui ao PSF tentar resolver o problema. A atendente do posto entrou em contato com a Secretaria de Saúde que me indicou procurar um médico particular”, contou Adriana, que estava indignada com a situação.

Segundo a paciente, ela tem uma liminar da Justiça, de outubro de 2014, que obriga a Prefeitura a fornecer a ela, gratuitamente, o remédio. Isso não vem ocorrendo, pois a Prefeitura forneceu o remédio a Adriana durante três meses apenas.

O mesmo problema foi encontrado por um paciente do posto Asadef. Segundo Elcio Batista, ele também precisava renovar a receita e, na unidade, foi informado de que não seria possível, pois o médico estava de férias. “Me surpreendi com a falta de médico. Como não posso ficar sem o medicamento, consegui comprar alguns comprimidos de uma amiga, até conseguir renovar a receita, ai eu pensei, como ficam as pessoas que não tiveram a mesma solução que tive para conseguir o remédio?”

Na UBS do bairro Areias Brancas a substituição do médico, segundo as funcionárias, foi feita corretamente. O profissional José Carlos Braga de Castro está de férias e as consultas estão sendo realizadas pelo médico Ronan Rodrigues de Castro.

 

Cumprimento de horário

Outra reclamação da população é em relação ao não cumprimento do horário de trabalho por parte dos médicos.

Em meados de janeiro, a Prefeitura anunciou que pontos eletrônicos seriam instalados nas unidades de saúde para controlar o cumprimento da carga horária exigida: 6 horas diárias.

Segundo reclamações da população, isso não estaria ocorrendo. Muitos pacientes têm usado as redes sociais para reclamar sobre o não cumprimento da carga horária pelos médicos.

O Nova Imprensa entrou em contato com os PSF’s do município, e segundo informações das atendentes, os médicos estão seguindo o horário imposto pela Secretaria de Saúde. O jornal não conseguiu falar com as unidades dos bairros: Quartéis, Bela Vista e Rosário.

Os pontos eletrônicos já foram instalados nos PSFs. Em visita a dois postos da cidade – Areias Brancas e Alvorada – o jornal conferiu o funcionamento dos pontos. Segundo funcionários das unidades, os relógios de ponto foram instalados no dia 1º deste mês.

Ponto eletrônico dos médicos instalado nos PSF do Bela Vista (Foto: Priscila Rocha)

Relembrando

No dia 18 de novembro de 2016, Formiga foi notificada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) por não estar cumprindo com a Portaria 2.488 do Ministério da Saúde, que estabelece as diretrizes e normas para a organização da atenção básica. A principal cobrança do Estado foi em relação ao descumprimento da carga horária mínima prevista para os profissionais das equipes de saúde.

Segundo a portaria, a jornada de trabalho é de 40 horas semanais com necessidade de dedicação mínima de 32 horas da carga horária para atividades na equipe da saúde da família, ou seja, 6 horas e 40 minutos/dia.

O descumprimento da carga horária pode acarretar na suspensão do recurso financeiro repassado pelo Ministério da Saúde ao município e isto por si só exige maior celeridade na busca de uma solução definitiva que ponha fim a prática condenada.

Em reunião realizada no dia 13 de janeiro entre o prefeito Eugênio Vilela, o vice, Cid Corrêa, e o secretário municipal de Saúde, José Geraldo Pereira, com os representantes dos médicos das Unidades Básica de Saúde (UBS), Ronan Rodrigues, José Carlos Braga de Castro e Luiz Nazareno, os médicos garantiram que cumprirão a carga horária exigida pelo Ministério da Saúde na atenção básica.

Gestão compartilhada

Na quarta-feira (8) a Prefeitura divulgou nota informando que a Secretaria de Saúde criou um Comitê Gestor. O órgão é composto pelos coordenadores dos setores de assistência da Saúde e tem o objetivo de monitorar os problemas enfrentados pela pasta e buscar soluções.

“Para a Saúde da cidade andar bem, é preciso organização. E é isso que o Comitê Gestor está fazendo, colocando a casa em ordem”, comentou o prefeito Eugênio Vilela.

Segundo o secretário de Saúde, José Geraldo, o órgão se reunirá semanalmente, para prestação de contas e aprimorar o planejamento.

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