Setores do PDT articulam nos bastidores a substituição do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em janeiro. Já há uma disputa no partido e até no PT pelo controle da pasta. O consenso entre pedetistas é que a saída imediata de Lupi desgastaria mais a imagem da legenda. Por isso, o PDT quer aproveitar a reforma ministerial para efetuar a mudança de comando.
Para o Planalto, a nova denúncia de que Lupi teria usado um avião alugado pelo dirigente de uma ONG acusada de desviar dinheiro de convênios com a pasta não muda a situação do ministro. O Lupi já está muito fraco. Mas, se não tiver um caso direto de corrupção, ele só será substituído na reforma, explica um ministro interlocutor da presidente.
No PDT, o grupo do ministro tentará manter o controle dos cargos no ministério com a indicação do deputado André Figueiredo, ex-secretário-executivo da pasta e presidente do PDT em exercício. A Força Sindical, do deputado Paulinho (PDT-SP), trabalha pela indicação do deputado João Dado (PDT-SP). O deputado Brizola Neto (PDT-RJ) também tenta a vaga.
Tem gente do PDT que aproveita a situação para desgastar Lupi politicamente. Mas o desgaste maior seria sair no meio desse tiroteio. Na reforma ministerial, toda a equipe será recomposta. Ele não será o único a sair. Nessas circunstâncias, é natural, observou o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), secretário de Relações Internacionais do partido.
Fogo amigo
Um grupo do PT mais próximo da CUT começa a articular a retomada da pasta, já ocupada por petistas como Ricardo Berzoini e Luiz Marinho. O núcleo palaciano detectou o chamado fogo amigo em parte das denúncias contra Lupi.
Tanto, que a principal acusação da revista Veja ? de que Lupi usou um avião pago por uma ONG ? foi feita pelo ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego do ministério, Ezequiel de Souza Nascimento. Segundo relatos, Nascimento foi pressionado por facções do partido a recuar das acusações. Para interlocutores, Nascimento demonstrou estar assustado com a pressão que passou a sofrer nos últimos dias. O deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA) cobrou publicamente explicações dele ao partido.

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