A pressão feita pela Comissão Especial de Saúde da Câmara tem dado bons resultados. Em menos de uma semana após a audiência pública com a secretária de Saúde, Maria Inês Macedo, as obras de reforma no PAM começaram, parte dos funcionários da secretaria foram remanejados para otimizar os trabalhos e o provedor da Santa Casa, Geraldo Couto resolveu se pronunciar durante a reunião do Legislativo de segunda-feira (8).
Geraldo Couto esperou ?a poeira baixar? para atender ao convite da Comissão formada pelos vereadores Arnaldo Gontijo, Mauro César e Cabo Cunha e usou a Tribuna do Povo por cerca de uma hora.
A estratégia de aguardar alguns dias até que a tensão gerada pela morte do jovem Júnio Cesar Rocha, no dia 8 de novembro, diminuísse foi eficaz e após usar a palavra livremente, os vereadores tiveram pouco tempo para fazer suas perguntas devido a um pedido do presidente da Casa, Juarez Carvalho, que estava preocupado com a demora da reunião. Além do uso da Tribuna, 12 projetos estavam na pauta de votações e a ordinária teve início com quase uma hora de atraso.
Além do provedor, esteve presente representando a Santa Casa, o vice-provedor João dos Reis Soares, a diretora administrativa Mariana Xavier, a assessora de Comunicação Bernadete Seixas, a ouvidora Rita Salazar e os irmãos benfeitores Hortência Nunes e Antônio Paim.
Durante sua fala, Geraldo repetiu boa parte das informações prestadas durante uma coletiva de imprensa, realizada no dia 12 de novembro, falando sobre os problemas financeiros da Santa Casa, as melhorias na estrutura e outros assuntos, mas em pontos cruciais, houve contradição entre a fala do provedor com as da secretária de Saúde, Maria Inês Macedo e do médico Carlos Eduardo Senne de Moraes, que também esteve na Câmara como delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM).
Contradições
No dia 27 de novembro, a secretária de Saúde afirmou em audiência pública que todos os repasses da administração para a Santa Casa estavam 100% em dia, já Geraldo Couto informou que há uma dívida de R$400 mil. Ele explicou que há valores em aberto dos meses de agosto e de novembro e atrasos em outros convênios.
O provedor ainda discordou da informação do delegado do CRM de que parte da equipe médica estava sem receber por alguns procedimentos desde o mês de fevereiro. ?Os médicos estão com pagamentos em atraso sim, mas não desde fevereiro?, disse Geraldo Couto, que afirma que as dívidas são do mês de maio ou junho.
O delegado do CRM disse ainda, que hoje a Santa Casa enfrenta graves problemas para conseguir profissionais (o que tem provocado grande parte dos problemas, principalmente pela falta de cirurgiões) porque não tem credibilidade e por causa das péssimas condições de trabalho. Para o provedor, as condições de trabalho são muito boas e a estrutura da Santa Casa está cada vez melhor, mas admitiu que há muitos atrasos por parte dos repasses do Estado e do Governo Federal e que este sim, pode ser o motivo que tem afastado os profissionais principalmente dos plantões.
Caso Júnio César
Sobre a morte do jovem Júnio César Rocha, cujos familiares tem frequentado todas as reuniões da Câmara em busca de justiça, Geraldo Couto afirmou que foi aberto um processo administrativo e, posteriormente, o caso será repassado para o Conselho Regional de Medicina.
Mais questionamentos
Sobre os demais questionamentos que os membros da Comissão gostariam de fazer para Geraldo Couto, em especial o vereador Mauro César, todos serão encaminhados à Santa Casa para que sejam devidamente respondidos e, posteriormente, apresentados na Câmara.

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