O grupo S.O.S. SANTA CASA formado por 12 mulheres, Madalena Galonetti, Selma Cunha, Christiane Frade Chicre, Jaqueline Azevedo, Maria Goretti Pereira, Marília Freitas, Giuliana Nascimento, Maria Cláudia Senna, Lurdinha Gomes, Ana Cristina Castro Monteiro e Lorene Pedrosa, atuantes nos mais diversos setores da comunidade, foi criado em março de 2015, por indicação do vereador e então membro da mesa administrativa interventora da Santa Casa por decisão Judicial, José Geraldo da Cunha (Cabo Cunha).

Após uma série de atividades que resultaram na doação de centenas de itens, como fraldas, medicamentos, alimentos etc; cujos valores somados, ultrapassaram R$40 mil e de eventos cujos lucros chegaram a R$100 mil, o grupo de voluntárias SOS Santa Casa, reunido durante a intervenção judicial da Santa Casa de Caridade de Formiga, conseguiu, recentemente, finalizar o repasse de doações para a entidade.

Parte desse valor foi investido em materiais para a cozinha e o restante em equipamentos que faltavam nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal e Adulto, sendo que alguns dos materiais comprados são indispensáveis para a sobrevivência de pacientes. (lista anexa).

No dia da entrega dos equipamentos, as integrantes do grupo repassaram os materiais para Fabiano Leandro Noronha de Castro, coordenador de fisioterapia e Andreia Alvarenga, responsável técnica da UTI Neonatal, que falaram sobre a importância dos novos materiais. “Tratava-se de materiais pontuais e muitas vezes ficávamos impedidos de realizar alguns procedimentos por falta deles. Nós percebemos a importância que o grupo SOS deu em ver a UTI Neonatal funcionando e funcionando bem. Isso só mostra a nossa importância e credibilidade diante da comunidade e nos deixa muito alegres”, comentou Fabiano.

“Esses materiais são um complemento importante para a manutenção do trabalho na UTI Neo. Foram muitos os casos em que para receber outra criança, precisávamos de um equipamento específico, mas não tínhamos. Agora, com a chegada desses materiais, até a nossa capacidade de atendimento aumentou de 8 leitos, para 10”,  complementou a enfermeira Andreia Alvarenga.

Destinação de recursos

Depois de várias reuniões, as integrantes do grupo tentavam dar uma destinação aos valores, uma vez que, desde o princípio, havia consenso de que o dinheiro seria investido e não apenas repassado.

Em um primeiro momento, foi constatada uma situação crítica da manutenção da cozinha da entidade, cuja precariedade ganhou a mídia do Estado. Um projeto de reforma chegou a ser desenvolvido pela arquiteta e membro do grupo Maria Cláudia Sena e pelo engenheiro Mauri Castro, que trabalharam como voluntários durante meses, estudando as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e fazendo medições e ajustes ao projeto, que chegou a ser aprovado pela direção interventora da época, mas que diante de trocas de comando por decisão da Justiça e outros problemas, jamais saiu do papel. “Esperamos muitos meses aguardando a liberação para o início da obra de reforma da cozinha, o que por fim, não aconteceu. O que nos levou a uma situação incômoda, pois tínhamos sob nossa responsabilidade os valores arrecadados”, explicou Jaqueline Azevedo, membro ativo do grupo, desde a sua criação.

Com o passar dos meses e a falta de alternativas, veio o fim da intervenção, e os diálogos foram retomados. Inicialmente, o grupo, em consenso, acatou a uma sugestão da nova Mesa Administrativa, para que os valores fossem repassados para o término da construção da Maternidade da Santa Casa, mas a própria administração voltou atrás, uma vez que aguarda verbas oriundas de emendas parlamentares indicadas por deputados que possam cobrir os gastos dessa obra. “Com mais uma tentativa frustrada, tivemos ciência de uma lista de equipamentos, aparelhos e insumos em falta nas UTIs, e foi então que as participantes do SOS decidiram pela compra de todos os itens da lista. Com o apoio dos funcionários Marcos Antônio Pereira e André Venâncio fizemos a cotação e adquirimos esses materiais”, comentou Selma Cunha.

“Foi um trabalho árduo, mas prazeroso, pois sabemos que nos esforçamos a cada instante para que a destinação dos valores arrecadados pelo grupo, por meio da realização de eventos e de doações de igrejas e alguns empresários, poderá ajudar a salvar vidas neste hospital que é sem dúvidas, um patrimônio de cada formiguense!”, disse Cristiane Chicre.

Arrecadações

Além da abertura de uma conta corrente, onde a população pôde doar qualquer quantia, cujos valores não chegaram a R$5 mil, contando com doações de paróquias da cidade e da Igreja Batista Vale das Bênçãos, o grupo mobilizou a cidade e empresários, milhares de itens que estavam em falta, foram doados à entidade como: fraldas geriátricas e infantis, um grande volume de remédios doados pelo laboratório Teuto do Brasil, copos descartáveis, papel tolha, luvas e garrafas térmicas, pratos de cerâmica, macarrão e sucos doados pela empresa “Vilma Alimentos” de Belo Horizonte, etc.

“Com o apoio de empresários e população da cidade conseguimos ajudar a nossa Santa Casa e a todos nós, pois seja pobre ou rico, na hora de precisarmos de uma assistência médica temos de recorrer à nossa Santa casa , é de lá que  recebemos todo atendimento medico de urgência …” declarou Madalena Galloneti.

A maior fonte de arrecadação do grupo foi mesmo os eventos, os quais tiveram gastos, levando a diminuição dos lucros. O valor de R$100 mil arrecadados refere-se aos eventos: Quermesse de Prêmios, Jantar Gourmet, realizado no Chico Cozinha & Bar, a Quinta Solidária, que ocorreu no Absoluto, a festa Celebration, realizada no Doma em Arcos, a Cavalgada e o show do Padre Fábio de Melo feito em parceria com a Bezz Eventos e Sindicato Rural. Foram arrecadados também 11.174 litros de óleo de cozinha na portaria do show do dia 6 de junho de 2015, sendo que parte da arrecadação foi vendida e o restante distribuído para 12 entidades da cidade.

“Todas as planilhas e notas da contabilidade do grupo, com cada centavo recebido, gasto na execução de eventos e agora na compra do que foi doado, está à disposição da comunidade e foi entregue à Justiça. Agradecemos aos empresários, igrejas, a todos que acreditaram em nós, e que, mesmo nesse tempo em que não conseguíamos solucionar a questão do investimento dessa doação, em momento algum questionaram a nossa idoneidade e caráter. Temos a grata satisfação de saber que o dinheiro foi investido na salvação de vidas”, comentou Lorene Pedrosa.

Confira as planilhas de gastos na realização dos eventos e nas compras com valores arrecadados:

 

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