Restaurantes na Arábia Saudita não precisarão mais manter entradas segregadas por gênero, disseram as autoridades neste domingo (8), acabando com algumas das regras sociais mais rígidas do mundo à medida em que reformas tomam lugar.

A Arábia Saudita exigia anteriormente que todos os restaurantes tivessem uma entrada para famílias e homens e outra para homens sozinhos. O ministério de municipalidades e assuntos rurais anunciou no Twitter que isso não seria mais obrigatório.

Homens solteiros e mulheres há décadas são impedidos de se misturarem em espaços públicos, sob rígidas regras sociais antes aplicadas por clérigos linha dura e polícia religiosa.

Mas o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman tem confrontado a elite religiosa – parcialmente com prisões de críticos – e aliviou outras restrições, como a proibição de mulheres dirigirem e o entretenimento público.

A segregação diminuiu silenciosamente durante o ano passado, quando restaurantes, cafés, centros de conferências e salas de concertos pararam de aplicá-la estritamente.

Um porta-voz do ministério contatado pela Reuters não especificou se as áreas de assentos segregadas nos restaurantes também seriam eliminadas. As novas regras não são obrigatórias, o que significa que os restaurantes ainda podem manter entradas separadas se os proprietários optarem por fazê-lo, disse ele.

Não houve anúncio de alterações em outros estabelecimentos públicos, como escolas e hospitais, que parecem permanecer segregados por enquanto.

A Arábia Saudita, uma das nações mais segregadas por gênero do mundo, também vem acabando com o sistema de tutela que exige que todas as mulheres tenham a aprovação de um parente masculino para tomar decisões importantes, embora algumas restrições importantes permaneçam.

A abertura social tem sido acompanhada por uma repressão aos dissidentes que viram as prisões de dezenas de clérigos, intelectuais e ativistas, incluindo mulheres que fizeram campanha por algumas das liberdades concedidas recentemente.

Também existem preocupações sobre uma possível reação dos conservadores, embora até agora tenha havido pouca reação concreta.

O príncipe de 34 anos é o herdeiro do trono saudita e o governante de fato. Se ele substituir seu pai, o rei Salman, ele será o primeiro monarca saudita de uma nova geração após uma sucessão de seis irmãos que governam desde 1953.

A reputação do príncipe Mohammed no Ocidente como um reformador ousado sofreu, no entanto, após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que foi morto por agentes sauditas no ano passado dentro do consulado do reino em Istambul.

Imprimir

Fonte:

G1/Reuters