O assunto não é novo neste espaço. Em alguns outros momentos já tratei dele “en passant”, dentro de diferentes contextos. Volto a ele agora pela preocupação que causa. Falo das candidaturas aos Legislativos em todos os níveis, mas, em especial, ao Senado e à Câmara Federal, que estarão em jogo no ano que vem. Enquanto as discussões se concentram, mesmo que ainda no ambiente político apenas, na disputa presidencial, sorrateiramente – digo malandramente até –, vão sendo trabalhados nomes para a formação das chapas proporcionais e majoritárias ao Senado, com a arregimentação de cidadãos que não têm qualquer vinculação com a atividade política.

São apenas nomes populares e que são estimulados à disputa por quem quer apenas a garupa dos chamados “puxadores de voto”, sem qualquer preocupação com o comprometimento futuro dessas pessoas com o país. Antes que os de sempre se levantem, quero dizer que considero legítima a pretensão de qualquer um em disputar eleições e se tornar parlamentar. Repudio, no entanto, os que se aproveitam da ignorância e/ou omissão do cidadão para assumir um mandato sem qualquer compromisso com seu exercício, para servi r a interesses de grupos ou para utilizá-lo de forma pouco republicana.

Assusta ver a movimentação em torno de nomes que buscam se engajar na política, requisitados não pela contribuição que possam dar ao país, mas, claramente, pela possibilidade de virem a ser puxadores de voto, como foi Tiririca nas duas últimas eleições, ou para dar um assento no Senado a uma legenda sem qualquer expressão, como o Partido Ecológico Nacional quer usar Ronaldinho Gaúcho em Minas. Ou, no limite, como deseja o PT, importar candidato, a ex-presidente Dilma Rousseff, que disputaria o Senado por Minas, apesar de não ter qualquer ligação com o Estado (apenas nasceu aqui) e que é, como diz Lula, uma política gaúcha.

É assim que nascem nossos políticos ou os que detêm mandato neste país, em todos os níveis de poder. Pessoas, em sua maioria, sem qualquer vinculação partidária, a não ser a necessária, a cartorial, sem convicção ideológica e, pior, sem compromissos. Assim nascem esses políticos que são geradores e alimentadores de crises. É assim também, pela esperteza dos “donos de legendas” e omissão dos eleitores, que nascem os “zinhos” – os filhos de políticos profissionais que herdam mandatos ou que vão construindo carreira até o momento de substituírem os pais. Isso quando o grupo familiar tem mais de um, dois ou até mais elementos no exercício de mandatos, desde vereador até senador, passando por cargos majoritários, como o filho de Renan Calheiros em Alagoas, exemplo típico de “zinho” bem-sucedido.

Grupos de interesse são normais e legítimos nos Parlamentos, nos quais, teoricamente, a sociedade está representada. Ilegítimo é o que prevalece no Brasil, onde estão muito bem representados os interesses familiares e de pequenos grupos e subgrupos que em nada representam os interesses da sociedade e do país. E nada indica que algo vai mudar. Bem ao contrário.

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