Uma pitada de pó de osso de chimpanzé, a saliva de um lagarto ou um pedaço de cérebro de um urubu. Não são os ingredientes da poção de uma bruxa, mas algumas das substâncias que impulsionam o bilionário tráfico ilegal de partes de animais, tidas como remédios milagrosos para uma série de doenças, como a asma, o câncer e a Aids.

Junto a produtos mais conhecidos, como chifres de rinoceronte, escamas de pangolim ou ossos de tigre, o tráfico de outras substâncias – frequentemente de espécies em perigo ou ameaçadas – é mais secreto, embora não menos rentável: cavalos-marinhos empalhados, garras de bichos-preguiça, brânquias de jamantas ou embriões de macacos.

Embora alguns desses elementos façam parte de receitas ancestrais de médicos tradicionais na Ásia e na África, outros são simplesmente vendidos como falsos remédios milagrosos por charlatães, apontam os especialistas, que, reunidos em Medellín, na Colômbia, também alertaram para uma extinção em massa de espécies.

“Nunca criticaremos as práticas tradicionais”, disse à AFP John Scanlon, secretário geral da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies em Perigo de Extinção (Cites). Mas ele denuncia aqueles que abusam de pessoas “muito vulneráveis” ao oferecer-lhes “certos produtos da vida selvagem com propriedades que não estão associadas à medicina tradicional”.

Estes incluem os chifres de rinoceronte para curar o câncer, o que não tem comprovação, mas contribui para dizimar esses animais. Em 1960, cerca de 100 mil rinocerontes negros viviam na África. Em 2016 havia menos de 28 mil rinocerontes de todas as espécies na África e Ásia, segundo relatório da ONU.

 

Escamas de pangolim: promessa contra asma

Medellín. As escamas de pangolins – dos quais duas espécies estão em “perigo crítico” – são vendidas na Ásia por US$ 500 o quilo para tratar a asma e a enxaqueca ou estimular a produção de leite em uma mãe lactante. “Não há evidência científica para pressupor nenhuma propriedade” das escamas de pangolim, assim como tampouco há sobre as propriedades contra a Aids da lagartixa-tokay, ou a injeção de virilidade que atribuem aos ossos de tigre.

“A superstição, a medicina tradicional e as técnicas do marketing viral estão agravando a pressão sobre as espécies animais”, diz Charlotte Nithart, da Robin des Bois. Essa ONG francesa registrou o tráfico de tutano de girafas para curar a Aids na África e de pó de osso de chimpanzé para a virilidade.

 

Ursas se adaptam contra caça

Como se tivessem aprendido a lei que proíbe os caçadores de matar as mães com seus filhotes, as ursas pardas na Suécia agora ficam com seus filhos por mais tempo do que antes, de acordo com um estudo.

Na Suécia, caçadores podem matar qualquer urso solitário entre agosto e outubro, mas as ursas em família são legalmente protegidas.

Os especialistas concluíram que as fêmeas adaptaram seu comportamento para viver mais, amamentando seus filhotes por um período que dura até dois anos e meio, desde 1995. Normalmente, as ursas permanecem com seus bebês por cerca de 18 meses.

Flash

A caça movimenta US$19 bilhões/ano – atrás dos tráficos de drogas, falsificações e seres humanos.

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Fonte:

O Tempo