No Dicionário Aurélio, ingênuo é aquela pessoa inocente, simples, sem malícia, inocente. Tem como sinônimo: puro, inexperiente, simples, inocente, tolo, simplório.

A sociedade atual propicia o acesso a informações pela maioria da população, dissemina o conhecimento dos deveres e direitos para o exercício pleno da cidadania, diminui possibilidade das pessoas agirem ingenuamente, mas gera oportunidades para pessoas mal intencionadas, dispostas a levar vantagem.

O recebimento indevido do auxílio emergencial por milhares de servidores civis e militares (da ativa e pensionistas), não pode ser considerado uma ingenuidade, pois essas pessoas fazem parte de um estamento letrado e consciente de seus direitos e deveres. Assim, salvo ações de terceiros, com o intuito de macular a imagem de outra pessoa, todos os demais casos (onde ocorreu o usufruto efetivo do depósito, com o saque do valor) deveriam gerar penalidades.

O quase Ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, apresentou em seu currículo (fake), sendo constatadas vários erros, como constatou-se ele não ter Doutorado em Administração, pela Universidade de Rosário, na Argentina, não ter pós-doutorado, na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, não ter ministrado aulas na Fundação Getúlio Vargas, FGV. Esqueceu que, sendo Ministro, seria uma figura pública, onde toda a sua vida é devassada, mesmo antes de sua posse. Entretanto, o Brasil estava otimista com o novo nome, após os dois últimos Ministros da Educação não mostrarem preparo para o cargo, mas Carlos Decotelli não aguentou o desgaste e pediu demissão, antes mesmo de tomar posse.

Os casos acima não são ingenuidades, mas existe um fato exemplar no Brasil de autênticos ingênuos.

A Lei do Ventre Livre, de 1871, considerou liberto (não escravo), a partir de 28.09.1871, todas as crianças nascidas de escravas. Os pais (escravos) acreditaram, ingenuamente, serem todos os seus novos filhos livres, por isso os filhos nascidos a partir de 28.09.1871, foram chamados de “ingênuos”.

Pela lei, as crianças seriam criadas pelo senhor até 8 anos de idade. Além disso, foi incluído uma previsão legal para beneficiar os senhores de escravos, onde, após 8 anos de idade, a criança podia ser entregue para o Estado ou o senhor podia utilizar os seus serviços até os 21 anos completos.

Dessa maneira, mesmo após a abolição da escravidão, os senhores mantiveram o direito de usar o trabalho das crianças sob a sua tutela (com mais de 8 anos de idade), filhas de escravas, sendo registrados casos judiciais de vitórias dos senhores, amparadas na previsão legal da lei de 1871. Por isso, a escravidão não terminou em 13 de maio de 1888, e crianças, filhas de escravas, foram escravas até completar 21 anos de idade, tendo, na verdade, a escravidão terminado legalmente somente em 1901, quando a última criança negra (nascida após 28.09.1871) completou 21 anos de idade.

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