Sem salários há três meses, o corpo clínico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Divinópolis voltou a paralisar parte dos serviços da unidade nesta segunda-feira (4). A decisão foi tomada em assembleia e é por tempo indeterminado. Em novembro, o atendimento já havia sofrido restrições pelo mesmo motivo.

De acordo com o corpo clínico, apenas serão recebidos casos considerados de urgência e emergência na UPA.

Reivindicações

Entre as reivindicações para que o atendimento se normalize, estão o pagamento de duas parcelas do salário e a garantia de que os pacientes não fiquem mais aguardando internação em macas nos corredores da unidade. Os médicos ainda pedem que a Santa Casa de Formiga deixe a gestão da unidade.

Em coletiva de imprensa concedida no final da tarde desta segunda-feira, o diretor técnico da UPA, Marco Aurélio Lobão, informou que o atraso da folha salarial dos médicos está em R$ 2 milhões. Ele disse que venceu nesta segunda o prazo para que a Prefeitura de Divinópolis e a Santa Casa de Formiga quitassem pelo menos duas das três parcelas em atraso.

Além dos salários atrasados, o corpo clínico da UPA apontou que faltam medicamentos e materiais básicos para atendimento. Lobão também declarou que a empresa que fornece produtos de alimentação para a UPA está há seis meses sem receber os pagamentos, que são de responsabilidade da Santa Casa de Formiga.

O diretor técnico disse ainda observou que um relatório do Conselho Regional de Medicina (CRM) definiu como de “insegurança profissional” a situação de trabalho dos médicos na UPA.

“Do ponto de vista técnico, não temos como expor o profissional se ele está trabalhando num ambiente sem condições para o exercício da sua profissão”, afirmou Lobão.

Crise

Conforme o diretor técnico, a UPA trabalha com 360 funcionários, dos quais 80 profissionais compõem o corpo clínico. A direção técnica da UPA relatou que alguns auxiliares de serviço estão com o vale-transporte e o vale-alimentação em atraso. Além disso, 50 pacientes estariam aguardando vaga para internação nos corredores da unidade.

No fim de setembro, foi enviada uma carta ao Conselho Regional de Medicina (CRM), Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao secretário Municipal de Saúde relatando a situação dos médicos em Formiga.

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Fonte:

G1