Porque será que hoje, o Aterro Sanitário Areias Brancas, com pouco mais de 6 anos de funcionamento deixou de ser considerado como o melhor e mais bem gerido deste Estado (quiçá do país) e, ultimamente, foi transformado num “lixão a céu aberto”?

Esta é a pergunta que todos fazemos e que esta administração precisa urgentemente responder aos formiguenses.

Para quem não sabe, lembramos que aquele importante equipamento público, inaugurado em 7 de agosto de 2009, custou aos cofres municipais algo em torno de R$ 2 milhões e que, nessa semana, sofreu severa fiscalização por parte do Ministério Público, em busca, quem sabe, de se evitar o mal maior.

Certamente surgirão muitas versões como possíveis respostas para a pergunta feita no preâmbulo deste texto. Estas versarão sob temas da moda como: falta de recursos disponíveis, diminuição nos repasses do Estado e da União, crise econômica mundial, diminuição de royalties e outras mais.

Porém, a nosso ver, ainda que admitamos todas as desculpas como plausíveis, as sintetizaríamos assim: falta de vontade política, ou melhor, de compromisso com a causa ambiental que em última análise defende a vida  e a sobrevivência sustentável das gerações futuras.

Durante anos, esta cidade conviveu com problemas econômico-financeiros de toda ordem e, ao que sabemos, não foram poucas as vezes que a administração anterior, teve que “se virar”, para cumprir os compromissos assumidos nesta área, sempre que lhe era cobrado e se exigia que os planos de manejo, as condicionantes pactuadas e a operação daquele equipamento público, se dessem de acordo com as normas vigentes e mais que isso, respeitando tudo que estava previsto no manual de operações ou no Programa de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS).

Hoje, infelizmente, quem trafega pela BR-354, mais precisamente pelos limites da região da Serrinha, vislumbra a triste cena que nos leva a crer que o Aterro que, um dia foi considerado como exemplo, de fato, foi transformado num lixão. Maior prova disto é a grande quantidade de urubus que por lá fazem ponto.

Invocamos aqui o testemunho dos técnicos da Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram), da Fundação Israel Pinheiro, do Ministério Público, da Polícia Ambiental e das Universidades que para aqui trouxeram alguns de seus melhores alunos a fim de desenvolverem teses de mestrados e ainda, do próprio corpo de funcionários que trabalham no Aterro desde sua inauguração. Estes, melhor que ninguém, sabem o quanto a operação ordenada e criteriosa de tudo aquilo lá, é de vital importância para este município e região e, mais que isso, para a preservação ambiental no sentido mais amplo.

É lamentável constatar hoje, no que transformaram aquilo lá, o que por dever de ofício, temos que registrar aqui, publicamente.

Resta-nos uma esperança, a de que o atual secretário de Meio Ambiente, que é sim, capaz e muito bem intencionado, agora, diante da possibilidade deste desastre de proporções inimagináveis, caso isto não venha a ser contido a tempo,  consiga de alguma forma sensibilizar e exigir de seus colegas de administração que, no mínimo, destinem à sua pasta, verbas capazes de fazer com que, nosso Aterro, projetado e construído para nos atender por mais de 20 anos, não tenha assim, como hoje nos parece ter, um fim tão melancólico, vergonhoso, inimaginável, sendo rebaixado pelos órgãos ambientais para a classe de lixão, que por lei, já deveriam estar extintos em todos os municípios.

Sem a compactação diária dos resíduos ali depositados (mais de 35 toneladas/dia), sem a separação de boa parte dos recicláveis, sem uma operação (manejo) descente e responsável daquilo lá, todos nós sabemos, a bacia do rio Pouso Alegre (se é que ainda não está), estará irremediavelmente contaminada, portanto, condenada à morte prematura.

A correção de tudo isto é algo imperioso, apesar da chamada “crise mundial” aquela a que nossos governantes nos três níveis da administração atribuem a culpa de toda a espécie de desgoverno por eles mesmos praticado ao longo dos últimos anos.

Ainda há tempo para se corrigir o erro. Basta determinação e vontade política!

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