É consenso que o exercício físico proporciona uma série de benefícios ao corpo humano, o que já se comprovou largamente na área médica. Agora, dois estudos internacionais – um israelense e um norte-americano – mostram que o período do dia em que as atividades são realizadas pode ser determinante nos resultados dessas atividades. Por meio de experimentos em ratos, os pesquisadores observaram que os animais que se exercitavam durante a noite apresentavam maiores ganhos ao organismo. Os especialistas acreditam que a diferença pode estar relacionada ao relógio biológico de cada indivíduo. As descobertas foram publicadas na última edição da revista especializada Cell Metabolism e podem ajudar, futuramente, na definição de estratégias mais eficientes de perda de peso.

Os dois grupos de cientistas analisaram a associação entre a hora do dia em que o exercício é realizado e o desempenho gerado ao organismo. “É bem-sabido que quase todos os aspectos de nossa fisiologia e metabolismo são ditados pelo relógio circadiano”, explicou Gad Asher, pesquisador do Departamento de Ciências Biomoleculares do Weizmann Institute of Science, em Israel, e autor de uma das pesquisas. “Isso é verdade não apenas em humanos, mas em todos os organismos sensíveis à luz. Por isso, decidimos investigar se existe uma conexão entre a hora do dia e o desempenho no exercício”, complementou o especialista.

Em um dos experimentos, a equipe liderada por Asher colocou os ratos para se exercitarem em esteiras em diferentes momentos do dia. Eles examinaram os efeitos de atividades de intensidades distintas. Os pesquisadores observaram que o desempenho geral do exercício no organismo dos animais foi substancialmente melhor (cerca de 50%, em média) à noite, em comparação às atividades matutinas. Esse efeito só não foi visto em ratos que tinham relógios biológicos incomuns – que trocam a noite pelo dia.
Para tentar entender essa diferença, os cientistas analisaram minuciosamente o tecido muscular dos animais. Com a análise, eles descobriram que, no período noturno, havia níveis mais altos de um metabólito chamado ZMP, conhecido por ativar vias metabólicas relacionadas à glicólise e à oxidação de ácidos graxos. Os pesquisadores acreditam que esses níveis mais altos de ZMP contribuem para um melhor desempenho de exercício realizado à noite.

“Curiosamente, o ZMP é um análogo endógeno de aminoidoide carboxamida riboside (AICAR), um composto que alguns atletas usam para doping”, destacou Asher. Os pesquisadores também estudaram 12 humanos e encontraram efeitos semelhantes. No geral, os participantes do estudo tiveram menor consumo de oxigênio durante o exercício à noite em comparação com o realizado pela manhã, e isso se traduziu em melhor eficiência no exercício.

Eficiência

Os experimentos da segunda equipe de pesquisa foram realizados de forma semelhante. Os cientistas colocaram uma série de ratos para se exercitar em esteiras durante horários distintos do dia. As análises em tecidos musculares revelaram detalhes até então não verificados. Os pesquisadores observaram que uma proteína, chamada fator 1-alfa indutível por hipóxia (HIF-1alfa), desempenha papel importante na perda de peso, sendo ativada pelo exercício de diferentes maneiras, dependendo da hora do dia. Quando os animais se exercitavam durante a noite, essa proteína era mais expressiva. “Faz sentido que o HIF-1 alfa seja importante, mas até agora não sabíamos que seus níveis flutuavam com base na hora do dia. Essa é uma nova e empolgante descoberta”, revelou Paolo Sassone-Corsi, pesquisador do Centro de Epigenética e Metabolismo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e autor do segundo artigo científico.

 

Fonte: Portal Uai ||

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