Ontem foi dia de festa no Atlético. O mais antigo time de futebol de Minas em atividade completou 102 anos. Uma história que começou com 22 garotos reunidos no dia 25 de março de 1908 no coreto do Parque Municipal, em Belo Horizonte, para fundar o Athlético Mineiro Football Club e que, em 1912, passaria a se chamar Clube Atlético Mineiro.
Os 22 fundadores (Aleixanor Alves Pereira, Antônio Antunes Filho, Augusto Soares, Benjamim Moss Filho, Carlos Maciel, Eurico Catão, Francisco Monteiro, Hugo Fracarolli, Humberto Moreira, Horácio Machado, João Barbosa Sobrinho, Jorge Dias Pena, José Soares Alves, Júlio Menezes Mello, Leônidas Fulgêncio, Margival Mendes Leal – esse o primeiro presidente -, Mário Neves, Mário Lott, Mário Toledo, Mauro Brochado, Raul Fracarolli e Sinval Moreira) foram seguidos por centenas, depois milhares e hoje milhões.
A primeira conquista foi em 1914: a Taça Bueno Brandão, primeiro torneio de futebol realizado em Minas Gerais.
A partir de 1945 um grito tomaria conta das ruas da capital mineira. Nascia naquele ano o mascote do clube: o Galo, criado pelo cartunista Fernando Pieruccetti, o Mangabeira – falecido em 2004 -, que se inspirou na raça da equipe.
Cinco anos depois, o Atlético ultrapassou as fronteiras do Brasil. Em uma inédita excursão pela Europa, o time disputou dez partidas, contra equipes da Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo e França. Foram seis vitórias, dois empates e duas derrotas. A campanha rendeu o título simbólico de ?Campeão do Gelo?, imortalizado no hino alvinegro, composto por Vicente Mota em 1969.
Na primeira edição do Campeonato Brasileiro, em 1971, o Galo, dirigido por Telê Santana, contou com os gols de Dario para erguer a taça.
Em meio a dezenas de Campeonatos Mineiros e duas conquistas sul-americanas – as Copas Conmebol de 1992 e 97 – o clube viveu dias de tristeza. A maior delas a queda para a Segunda Divisão em 2005. De volta à elite, o Atlético vem tentando nos últimos anos se reorganizar para reencontrar o caminho das glórias.
Mário de Castro
Um cidadão formiguense tem seu nome cravado na história do Clube Atlético Mineiro. Mário de Castro foi jogador do clube entre 1926 e 1931. Logo na estreia, marcou três gols contra o até então imbatível América, na vitória por 6×3, que daria ao Galo o título Mineiro de 1926.
Além de ser jogador, Mário exerceu a medicina em Formiga por 22 anos, prestando grandes serviços à população. Uma grande curiosidade é que seu pai não queria que Mário jogasse bola, mas o amor pelo futebol foi tão grande que ele jogava escondido do pai, enquanto concluía os estudos de medicina.
Ficou no Atlético até 1931 e manteve o cetro de maior artilheiro da história do clube até 1974, quando foi superado por Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha.
Sua última partida foi uma exibição de gala. O Atlético perdia do Villa Nova por 3×0, quando no segundo tempo, Mário fez 4 gols, garantindo o título de 1931. No tumulto da comemoração, um diretor atleticano acabaria atirando em um torcedor do Villa Nova. Indignado, Mário de Castro resolveu encerrar a carreira, aos 26 anos. Com ele o Galo tornou-se o gigante que faria história no futebol.
Mário de Castro foi o primeiro jogador de um time mineiro e o primeiro jogador fora do eixo Rio-São Paulo a ser chamado para a Seleção Brasileira de futebol, mas não aceitou o convite, pois disse que vestiria apenas a camisa do Atlético/MG.

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