Seja devido à crise, que vem eliminando postos de trabalho no país, ou por causa das mudanças no mercado, cresce o número de trabalhadores por conta própria – os chamados freelancers e os microempreendedores individuais (MEIs)–, em especial entre os mais jovens. Atualmente, um em cada quatro jovens está fora do mercado formal no Brasil.

Num país com quase 14 milhões de desempregados, os trabalhadores com idades mais baixas são os que têm maior dificuldade para encontrar uma vaga. Enquanto a média de desemprego foi de 13,7% no primeiro trimestre deste ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 28,8% no mesmo período.

Só que não é apenas a crise que leva o jovem a procurar outras formas de trabalho além do regime da CLT, alerta o gerente do Sistema de Formação Gerencial (EFG) no Sebrae-MG, Ricardo Pereira. “Há pessoas que querem fazer o que gostam, querem fazer seu horário e ter mais autonomia. Assim, podem optar por serem freelancers ou se tornarem empreendedores”, diz Pereira.

Em Minas, foi verificado um aumento de 45% no número de MEIs nos últimos dois anos. De 2014 a 2016, o Estado passou de 502 mil formalizados para 729 mil.

Mudanças
O gerente do Sebrae-MG lembra que não é só no Brasil, mas no mundo, haverá redução nos níveis de emprego nos próximos anos. “Vai existir trabalho, mas o emprego, com vínculo com o empregador e diversas garantias, como conhecemos hoje, está perdendo espaço. O emprego está sendo trocado pelo trabalho”, observa.

Relatório do Fórum Econômico Mundial, realizado com acadêmicos, empresas e profissionais de recursos humanos, mostra que a tecnologia e a automação vão extinguir por volta de 7 milhões de vagas no mundo de 2015 a 2020, sendo a maior parte delas nas áreas administrativa e de automação.

O presidente da Campus Party, evento de inovação, ciência, criatividade e entretenimento digital, Francesco Farruggia, disse em entrevista ao jornal O Tempo, no fim de 2016, que de 40% a 50% das profissões que conhecemos não vão existir em 15 anos e que quem não dominar a tecnologia do seu mercado não vai conseguir emprego no futuro.

 

Está na lei

O MEI tem acesso à aposentadoria, auxílio-doença e licença-maternidade. O microempreendedor individual paga um valor fixo mensal, que varia de acordo com a atividade. Nos casos de prestação de serviços, ele é de R$51,85.

Ser organizado é fundamental

Saber administrar o tempo e ter uma renda que varia a cada mês é o desafio de quem trabalha como freelancer ou tornou-se empreendedor. “Fiquei mais organizado com as finanças desde que optei por ser freelancer”, diz o webdesigner Wallace Ferraz.

Para o professor de finanças do Ibmec/DF Marcos Melo, a disciplina financeira deve ser adotada por todos, independentemente de ter ou não as garantias da CLT. “No caso do freelancer, como a renda pode variar, ele precisa ter uma reserva maior”, observa.

O webdesigner Matheus Felipe Matos Ferreira conta que usa um aplicativo para ajudar a gerenciar suas finanças. “Tenho contas que são fixas, sem ter uma remuneração fixa. Assim, aprendi a ter mais controle do dinheiro”, frisa.

Ferraz explica que o lado negativo de trabalhar por conta própria é não ter benefícios, como plano de saúde, além de ter que lidar com a inadimplência de clientes. “Ainda assim, prefiro ser MEI. Sou de uma geração que é mais empreendedora”, diz.
Preferência

Embora o número de freelancers e MEIs esteja crescendo, pesquisa realizada pela consultoria Signium em parceria com a PiniOn, com 600 jovens entre 18 e 25 anos do RJ e SP, mostra que 50% preferem a segurança da CLT.

Startups surgem como alternativas

Aos 18 anos, Dante Nolasco tem duas startups: uma na área de educação empreendedora, a outra, voltada para a saúde dos idosos. O jovem, que fez o curso técnico em administração da Escola do Sebrae, conta que ter uma carteira de trabalho nunca fez parte dos seus planos. “Venho de uma família empreendedora, sempre pensei em ter minha empresa, fazer o que gosto e ter liberdade”, diz.

Mudanças

O gerente do Sistema de Formação Gerencial (EFG) no Sebrae-MG, Ricardo Pereira, alerta que ter uma carreira para a vida toda está no passado.

“O mais comum é uma pessoa ter uma formação acadêmica e acabar trabalhando em outras áreas”, afirma Pereira.

 

Fonte: O Tempo ||

Imprimir

Comentários