A suposta série de ações suicidas do desafio da Baleia Azul tem criado pânico generalizado e uma onda de boatos. Além de duas mortes suspeitas, ao menos quatro casos de jovens que se mutilaram são investigados pela Polícia Civil de Minas por sua relação com o jogo do suicídio. A escalada nos números fez aumentar a atenção dos pais e também o número de chamados na Polícia Militar. Na cidade de Ipanema, na região do Rio Doce, por exemplo, um boato de que uma das tarefas seria envenenar crianças levou pânico aos moradores e motivou os militares a reforçarem o policiamento nas escolas e a comunidade acadêmica a aumentar os cuidados.

Desde que a participação de jovens no jogo ficou conhecida, os boatos têm tomado conta das redes sociais. São listas com tarefas falsas, fotos de jovens mutilados e teorias de que crimes cometidos há meses seriam relacionados ao desafio.

O boato em Ipanema começou na tarde dessa quarta-feira (19), por meio de uma mensagem de WhatsApp. Nela, um participante do jogo afirma que mataria crianças como uma das tarefas. A PM na cidade começou então a receber centenas de ligações e reforçou o policiamento nas escolas. “Foram muitos os pais ligando. A gente está tratando como uma brincadeira de mau gosto, já que a mesma mensagem circulou em outras cidades, mas o autor do boato pegou o nome das escolas da cidade”, afirmou o comandante do município, tenente Bruno Fernandes.

A reportagem conversou com o diretor de uma das escolas citadas, a Nilo Morais Pinheiro, que tem cerca de 800 alunos. “Assim que recebemos a mensagem, tomamos providências. Fechamos a escola e reforçamos a nossa entrada. Também orientamos professores e alunos para não receber nenhum doce na rua, bem como notificamos a PM”, disse Robson Nogueira

Ataques em massa. Com ou sem a comprovação da ligação com o desafio, pesquisadores defendem que o jogo pode não ter pessoas reais como incentivadores e que ele pode ser, na verdade, uma lenda urbana, que se popularizou e, por consequência, serviu de inspiração para ações reais, como a criação de grupos, mortes e mutilações.

Independentemente da veracidade do esquema, especialistas dizem que é preciso avaliar o alto poder de dano revelado pelo modelo. Thiago Zaninotti, analista da Aker N-Stalker, especialista em segurança digital, afirma que é preciso cogitar inclusive que não haja um humano por trás do desafio, mas sim um robô, o chatbot: “Eles dispõem de recursos poderosos de autoaprendizado e são movidos por algoritmos de engenharia social que estão tornando-se cada vez mais corriqueiros no cibercrime”.

O especialista alega que o Baleia Azul pode estar inaugurando uma nova era dos incidentes de segurança, com ataques de engenharia social em massa que afetam de forma direta e altamente impactante o comportamento do usuário.

Belo Horizonte

Descartado. O delegado Rodolfo Rabelo Alves acredita que o suicídio de Alexandre Assis Ramos dos Reis, no domingo, tem relação com o término de um namoro, e não com o desafio da Baleia Azul.

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