O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, senador Omar Aziz (PSD), deixou um recado, sem citar nomes, ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Segundo o senador, não existe como “fechar os olhos e engavetar” o relatório da CPI, que está sendo votado nesta terça-feira (26). 

Segundo Aziz, o Congresso Nacional precisa se posicionar sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazendo uma relação “absurda” entre a vacina que combate a COVID-19 e o vírus do HIV. 

De acordo com ele, por isso, a CPI colocou no seu relatório final o pedido para que as redes sociais efetuem o banimento do presidente. 
“No momento em que precisamos incentivar os brasileiros a se imunizarem, a maior autoridade do país volta a demonstrar um comportamento irresponsável. É por essa e outras que não há como negar os fatos que levaram aos indiciamentos no relatório da CPI. Não tem como fechar os olhos e engavetar isso. Continuaremos alerta e cobraremos o avanço das investigações”, disse. 

O dia da CPI

 A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID,  instalada pelo Senado, vota nesta terça-feira (26) o relatório final , elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto de mais de mil páginas – apresentado na última quarta-feira (20) – é  fruto de um trabalho de seis meses e pede indiciamento de 81 pessoas , incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), além de outros políticos, empresários, gestores e médicos.  Bolsonaro, por exemplo, foi indiciado por nove crimes, o que gerou críticas por parte de alguns senadores. Outros, como Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apesar de discordarem em alguns pontos, são favoráveis à aprovação do texto do relator Calheiros.

O relatório deve ter algumas mudanças em relação à versão apresentada na última semana. Uma  delas diz respeito a uma fala de Bolsonaro, na quinta-feira (21)  passada, associando vacinação contra o coronavírus com a AIDS.

Caso aprovado, o relatório segue como denúncia a órgãos competentes, como Ministério Público Federal (MPF) e, no caso do presidente, à Procuradoria-Geral da República (PGR). Eles serão responsáveis por seguir com as apurações e confirmar o indiciamento ou arquivar os casos.

A CPI da COVID, instalada em abril deste ano pelo Senado, apurou omissões do governo federal durante o período da pandemia de COVID-19 e repasse de verbas a estados no mesmo tempo. Os senadores da base de governo afirmam que governadores e outros gestores públicos saíram ilesos, tese refutada pelo relator.

Fonte: Estado de Minas

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