Em relatório divulgado nessa quarta-feira (7), o Banco Mundial destacou que a abertura comercial realizada e promovida na gestão do ex-presidente Fernando Collor de Mello foi decisiva para a geração de milhões empregos. “O aumento dos rendimentos reais das famílias pobres foi o dobro do aumento dos rendimentos das famílias mais ricas”, diz um trecho do relatório. O levantamento do Banco Mundial afirma, ainda, que se essa medida de Collor fosse adotada nos dias de hoje poderia tirar seis milhões de brasileiros da atual linha da pobreza.

O Banco Mundial diz que para ganhar eficiência e crescer mais, o Brasil tem que abrir sua economia à concorrência estrangeira. Com o atual formato, o país tem uma economia considerada fechada, frente a seus pares e, ao promover mudanças como as realizadas na gestão do então presidente Collor, o Brasil teria a ganhar com uma maior inserção de produtos importados no mercado doméstico. Cálculo apresentado no relatório “Emprego e crescimento: a agenda da produtividade”, detalha os números e mostra que o Brasil poderia tirar milhões de brasileiros da pobreza com uma abertura coordenada com seus pares do Mercosul.

O estudo analisa que “a liberalização comercial dos anos 1990, feita no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), é um exemplo pregresso de potenciais ganhos para os mais pobres”. Na ocasião, o Brasil reduziu unilateralmente as tarifas de importação de uma média de 30% para 13%.

“À época, o aumento dos rendimentos reais das famílias pobres foi o dobro do aumento dos rendimentos das famílias mais ricas”, expôs um trecho do relatório. Martin Raiser, diretor do Banco Mundial para o Brasil, declarou que o país teve uma grande chance para concluir a abertura comercial no passado, porém não teve continuidade ao longo dos últimos anos. “O Brasil tem uma grande oportunidade agora por não ter completado a sua abertura no passado. Quando Collor fez abertura, nenhum país tinha feito. Agora, vários fizeram, o que é uma vantagem”, disse Raiser ao jornal Folha de São Paulo.

Isso poderia elevar as exportações em 75% e as importações em 6,6%. O PIB poderia crescer quase 1 ponto percentual a mais (precisamente 0,93 ponto percentual).

Mesmo com as ameaças protecionistas do presidente americano, Donald Trump, Raiser afirma que o Brasil teria mais a ganhar com mais uma abertura econômica. “Os EUA eram o motor da abertura, não são mais. Porém, outras regiões, como a Ásia da costa pacífica, está se abrindo e formando novo polo de globalização, não tão focado nos EUA. A globalização será diferente nos próximos anos, é importante aprender lições da história e mitigar os efeitos negativos sobre alguns grupos vulneráveis”

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Fonte:

Gazeta Web