Uma paralisação de pouco mais de 12 horas dos tanqueiros – caminhões que transportam combustíveis -, durante a manhã de quinta-feira (8), foi suficiente para tumultuar a rede de distribuição de combustíveis de Minas Gerais. O Sinditanque, que representa a categoria, anunciou que os cerca de 800 caminhões que entregam combustíveis aos 4.140 postos do Estado estavam em greve desde a 0h.
Foi só a informação começar a circular para provocar uma corrida aos postos. Minha intenção nem era encher o tanque, mas como preciso do carro, tive que me prevenir, disse o técnico em informática Vitor César Marques, que correu para um posto depois de saber da greve pelo rádio.
Como o estoque dos postos é suficiente para, no máximo, dois dias de funcionamento, o medo era que a greve secasse as bombas e provocasse um transtorno incalculável, tendo em vista o que aconteceu em São Paulo nos últimos dias.
Lá, o abastecimento foi paralisado em protesto à proibição de circulação dos caminhões em certos horários na cidade. Os poucos postos que tinham gasolina chegaram a vender o litro por R$ 4,50. Embora as reclamações dos tanqueiros dos dois Estados sejam diferentes, o sindicato mineiro se beneficiou da repercussão da greve em São Paulo para amplificar o movimento.
Não existe balanço de quantos postos ficaram sem combustível em Minas, mas Belo Horizonte, Barbacena, Montes Claros e Divinópolis foram as cidades mais prejudicadas, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro-MG).
A principal reclamação da categoria é a alta na alíquota do ICMS do diesel em Minas Gerais, que, há alguns meses, subiu de 12% para 15%. Segundo José Geraldo de Castro, diretor do Sinditanque, o custo do diesel para os transportadores já supera 50% do custo total do transporte. Antes do aumento do ICMS, ele diz, o percentual era de 35%.
A categoria não deixa, no entanto, de reclamar da restrição da BHtrans ao tráfego na região central da cidade das 7h às 20h e, nos grandes corredores, das 9h às 12h e das 17h às 20h.
A professora Andrea Vieira, que engrossou a corrida aos postos, ontem, antecipou o desfecho da história. Acho que a greve acaba logo, opinou. E acertou. Durante toda a manhã de ontem, o Sinditanque afirmou que a parada seria por tempo indeterminado, mas, às 13h, os caminhões voltaram a trabalhar. Em nota, a BHTrans informou que, excepcionalmente ontem, das 17h às 20h, o trânsito dos caminhões-tanque foi liberado, para que o abastecimento pudesse ser normalizado.
A suspensão da paralisação aconteceu depois que a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG) agendou uma reunião com representantes da categoria para a próxima segunda-feira, às 10h. O encontro, porém, não traz garantias de que não haverá novos transtornos, já que nem governo nem transportadores parecem dispostos a ceder.
Mesmo antes do anúncio da reunião, o Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustível (Sindicom) estudava medidas para suspender a greve, pois as distribuidoras estavam se sentindo prejudicadas.

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