Onze primatas não humanos (micos e macacos de grande porte) foram encontrados mortos em Minas Gerais, nos últimos dias, com suspeita de serem vítimas da febre amarela. Seis deles em Cabeceira Grande e um em Buritis, na região Noroeste; um em Uberlândia, no Triângulo; e três em Luislândia, no Norte de Minas. A morte desses animais, que são hospedeiros do vírus da doença, é o principal indício do risco da doença para o homem. A infecção humana acontece através da picada do mosquito Haemagogos e Sabethes(em área silvestre) que tenha se infectado após picar o bicho ou o humano doente. A Secretaria de Estado da Saúde também investiga um caso de um homem que está internado em Belo Horizonte com sintomas da doença.
Ontem, o órgão foi notificado da internação de G.J.R., 49, pecuarista, morador de Acrelândia (Acre). O paciente, que não é vacinado, encontra-se internado no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. O material dele foi coletado e encaminhado para a Fundação Ezequiel Dias (Funed) para análise. Até o fechamento desta edição a secretaria ainda não sabia informar se a infecção ocorreu em Minas.
Os fatos motivaram a Secretaria de Estado de Saúde (SES) a intensificar a vacinação contra a febre amarela na região Noroeste. A área faz divisa com Goiás. Desde o final de semana, três pessoas morreram em Goiânia e Brasília, vítimas da doença.
O gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde, Francisco Lemos, disse que não há motivo para alarde, nem mobilização para uma vacinação em massa em Minas. A vacinação contra febre amarela é de rotina e indicada para todas as pessoas a partir dos nove meses de idade. Mas muitos adultos ainda são resistentes à vacina e ficam desprotegidos. Para quem vai viajar para regiões rurais, a imunização é ainda mais necessária, porque é dentro das matas que o vírus está, afirmou.
Desde 2003 não há registro de seres humanos infectados com o vírus da febre amarela em Minas Gerais. As duas últimas epidemias no Estado aconteceram no começo de 2001, na região Centro-Oeste, com 32 casos e 16 óbitos, e final de 2002, no alto Jequitinhonha, com 64 casos e 23 mortes, ambas do tipo silvestre, em áreas rurais.
Nessas ocasiões, de acordo com Francisco Lemos, a episotia – morte de primatas pelo vírus da febre amarela – só foi detectada após a doença já ter acometido os seres humanos, o que impediu a ação da saúde pública na prevenção da epidemia.
O normal de acontecer é os moradores da zonas rurais perceberem essas mortes dos macacos e informarem as autoridades de saúde sobre o acontecimento. Como isso não aconteceu nas duas últimas epidemias, as pessoas se infectaram sem que as secretarias locais de saúde pudessem interferir. As autoridades só foram saber da episotia depois da confirmação da infecção em humanos. Por isso, pedimos atenção aos moradores e trabalhadores das regiões rurais para esse fato: se vir macaco morto na mata avisar imediatamente às autoridades, para que possamos tomar as providências, disse o gerente.
Em áreas urbanas do Brasil, o último caso de febre amarela em humanos foi registrado em 1942, na cidade de de Sena Madureira, no Acre. Nos centros urbanos, a doença está controlada há muito tempo. Porém não podemos deixar de alertar a população das cidades para a importância de se imunizar por meio da vacina. O risco da doença chegar às cidades é remoto, mas existe, afirmou.

Vetores
Segundo Lemos, existem três vetores para a doença: os mosquitos Aedes aegypti, os Haemagogos e os Sabethes. Atualmente, somente os dois últimos transmitem a febre amarela na área silvestre. O Aedes é muito incidente nas áreas urbanas, responsável por transmitir a dengue, explicou.
É nessa época de verão, conforme disse o gerente, que esses vetores se reproduzem, aumentando as chances de propagação da doença. Os mosquitos infectados picam os macacos, que se tornam reservatórios do vírus. Se um mosquito que não possuiu o vírus picar esse macaco infectado, ele passa a ser transmissor automaticamente. É uma situação cíclica, com épocas mais críticas que outras, afirmou.

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