Um gigantesco navio cargueiro, o Ever Given, encalhou na terça-feira (23) à noite no Canal de Suez, durante uma tempestade de areia, bloqueando uma das rotas comerciais mais movimentadas do planeta. 

O navio, de 400m de comprimento e 220.000t, desviou de sua rota em meio a fortes rajadas de areia que afetaram o Egito e partes do Oriente Médio.

O”Ever Given, de 59m de largura e 60m, de bandeira panamenha mas operado por uma empresa taiwanesa, encalhou no canal, bloqueando toda a navegação entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho nas duas direções.

A empresa que explora o navio, Evergreen Marine Corp, com sede em Taiwan, disse que o Ever Given – que navegava do porto chinês de Yantian rumo a Rotterdam, na Holanda – encalhou “provavelmente após ser atingido por uma rajada de vento”.


O incidente “aconteceu principalmente devido à falta de visibilidade pelas condições climáticas, enquanto os ventos alcançaram 40 nós, o que afetou o controle do navio”, explicou, na quarta-feira, a autoridade egípcia do Canal de Suez (SCA), em nota.

Segundo a Bernhard Schulte Shipmanagement (BSM), empresa com sede em Singapura e encarregada da gestão técnica do navio, os 25 membros da tripulação estão a salvo e não houve poluição ou danos na carga do navio, com uma capacidade de mais de 20.000 contêineres.

Vários rebocadores e uma draga tentam liberar o gigante dos mares desde a manhã de quarta-feira (24).

Quais são as consequências do bloqueio?

Quase 10% do comércio marítimo internacional passa pelo canal, segundo os especialistas.

Inaugurado em 1869, o canal sofreu, desde então, várias fases de ampliação e modernização para se adaptar à evolução do comércio marítimo.


Sua construção reduziu drasticamente as distâncias entre a Ásia e a Europa: 6.000 km a menos entre Singapura e Rotterdam, por exemplo.

O canal já foi bloqueado no passado, especialmente durante a crise do Suez em 1956, quando embarcações foram afundadas pelas autoridades egípcias.

Aproximadamente 30 embarcações estão paradas na área de espera no centro do canal, enquanto outras 40 esperam no Mediterrâneo e 30 no Golfo de Suez, no Mar Vermelho, segundo o provedor de serviços Leth Agencies. No total, cerca de 300 navios estão afetados.

O incidente está afetando os mercados mundiais do petróleo devido aos atrasos nas entregas. Os preços dispararam na quarta-feira.

“Nunca vimos algo assim”, disse Ranjith Raja, chefe de pesquisa de petróleo e marítima do Oriente Médio, afirmando que é “provável que a paralisação dure vários dias”.

O que vai acontecer? 

A SCA anunciou, na quinta-feira (25), que o tráfego marítimo está “temporariamente suspenso” até que o Ever Given volte ao serviço.

No entanto, a corretora Braemar alertou que “se os rebocadores não conseguirem retirar o navio, é possível que seja necessário retirar os contêineres com guindastes para torná-lo mais leve”, o que levaria “dias ou até semanas”.

A empresa proprietária do navio, a japonesa Shoei Kisen Kaisha, explicou na quinta que é “extremadamente difícil” fazer o navio voltar.

“Não sabemos quanto tempo vai levar” para retirar o navio, disse à AFP Toshiaki Fujiwara, funcionário da Shoei Kisen Kaisha.

Fonte: Estado de Minas

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