Como se não bastasse o trauma de perder quatro semifinais olímpicas seguidas, a seleção feminina de vôlei tinha dois obstáculos de peso nesta quinta-feira. Do outro lado da rede, estavam as atuais donas da medalha de ouro e, em volta delas, uma torcida apaixonada que não parava de gritar. Pois a temida China, desta vez, não deu nem para a saída.
(parciais de 27/25, 25/22 e 25/14) e fez história em Pequim, garantindo vaga na final dos Jogos pela primeira vez. A festa das jogadoras após a partida deixava claro o tamanho da conquista. O próximo desafio é a grande decisão contra as americanas, neste sábado, às 9h (de Brasília).
– A gente passou por essa barreira. Está aí a prova – afirmou Mari, melhor jogadora da semifinal.
Trauma superado
A vitória redentora veio na quinta semifinal olímpica consecutiva para o Brasil. Em Barcelona-1992, a derrota para a então União Soviética não chegou a ser um trauma. Era a primeira vez que o país chegava entre os quatro melhores. A partir daí, contudo, o fracasso virou drama.
Em Atenas-1996, o time tinha Ana Moser, Márcia Fu e Fernanda Venturini, mas foi derrotado por Cuba numa partida que acabou em briga. Quatro anos depois, em Sydney, mais um tombo diante do mesmo adversário. Em 2004, o ponto alto da tragédia: após abrir 24 a 19 contra a Rússia no quarto set, a seleção permitiu a virada que ficou famosa.
Susto no início
Com a torcida barulhenta a favor e o status de atual campeã olímpica, a China abriu logo 3 a 0 no início do primeiro set. O Brasil só pontuou com uma bola de fundo de Mari ? a defesa mandou para fora. O time da casa não deixava as brasileiras se aproximarem e, com 5 a 1, José Roberto Guimarães pediu tempo. A parada esfriou as chinesas, que passaram a cometer erros bobos. Percebendo a dificuldade das companheiras de meio, principalmente de Mari, Paula Pequeno passou a explorar o bloqueio. Sheilla fez o mesmo e ampliou o leque de opções da levantadora Fofão.
Após um bloqueio de Paula, o técnico Chen Zhonghe resolveu mexer no time. Só faltou combinar com Mari, que começou a se tornar um dos principais nomes do jogo. Walewska pôs o Brasil na frente com um saque flutuante: 18 a 17. Mesmo após um tempo do treinador chinês, Sheilla pôs no chão uma bola de contra-ataque. As brasileiras chegaram a 20, mas permitiram o empate. Com 21 a 21, Sassá entrou para sacar. A troca de pontos se estendeu até um bloqueio de Fabiana e uma cravada de Sheilla. Era o fim do primeiro set: 27 a 25.
Brasil consegue impor seu jogo
Na segunda parcial, o Brasil pulou na frente. A forte defesa da China, no entanto, dificultava a vida da equipe verde-amarela. As ponteiras Paula Pequeno e Mari, além da oposta Sheilla, continuavam sendo as bolas de segurança de Fofão. O meio-de-rede, por sua vez, estava tão bem marcado que Walewska só conseguiu fazer seu primeiro ponto na partida após o segundo tempo técnico obrigatório. O placar mostrava 17 a 15 e, conforme o tempo ia passando, a torcida ia se acalmando no ginásio.
Um bloqueio de Sheilla deixou o Ginásio da Capital em silêncio. Mas foi por pouco tempo. A China logo apertou no placar, e Zé Roberto colocou Jaqueline e Thaisa no lugar de Paula Pequeno e Fabiana. As alterações confundiram as adversárias. A rede do Brasil aumentou e as chinesas não sabiam onde colocar a bola. Mari, até então o nome do jogo, desperdiçou dois ataques. Quando o Brasil abriu 24 a 20, o fantasma de Atenas mandou um recado. As chinesas fizeram dois pontos seguidos, mas a reação parou por aí. Um saque de Ruirui para fora garantiu mais um set para a seleção brasileira: 25 a 22.
Fim de jogo arrasador
Mari continuou sendo o destaque do Brasil no terceiro set. Além de fugir do bloqueio da China, a ponteira foi fundamental no saque. Com flutuantes, ela conseguiu quebrar o passe chinês e garantiu a liderança. A diferença no marcador logo passou de três para oito pontos. O técnico chinês gritava à beira da quadra, pediu tempo, conversou com suas atletas, mas de nada adiantou. Concentradas, as brasileiras pouco erravam. Já do outro lado, o nervosismo reinava. Com 23 a 14, Jaqueline entrou em quadra. E foram dela, em dois saques seguidos, os pontos que garantiram a primeira final olímpica do vôlei feminino verde-amarelo.

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