O Brasil entrou pela primeira vez no grupo de países considerados de alto desenvolvimento humano. Entre os dados que contribuíram para o desempenho brasileiro está o aumento na expectativa de vida da população. Em 2004, ela era de 71,5 anos para 71,7 anos em 2005. Apesar disso, caiu uma posição no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), passando de 69º para 70º no item qualidade de vida.
Os responsáveis pela pesquisa, porém, viram com cautela a melhoria no desempenho do país. Eles lembram que países como Argentina, México e Cuba estão à frente do Brasil no ranking há mais de 20 anos.
Apesar de o Brasil ainda ser um dos países mais desiguais em termo de distribuição de renda, tem havido alguns passos na direção correta, declarou Kevin Watkins, coordenador do relatório.
Para Watkins, além de o Brasil ter passado por um bom momento econômico nos últimos anos, programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, contribuíram para a melhoria no IDH.
Os últimos quatro anos viram mudanças nas políticas públicas em áreas fundamentais o que muito claramente ofereceu benefícios para os pobres do Brasil. Acho que vemos sinais muito positivos no Brasil e o governo Lula alcançou muito disso, afirmou.
Ele frisou, porém, que ainda há muito a ser feito, principalmente em relação à distribuição de renda, terra e crédito, e pediu mais eficiência na cobrança de impostos.
O fato é que muitos países com renda mais baixa do que a do Brasil têm um desempenho melhor em indicadores chave, observou.

IDH

Em 2004, o IDH divulgado para o Brasil foi de 0,792. Números relativos ao PIB e à mortalidade da população foram revisados, elevando o índice de 2004 para 0,798, o que significa que o IDH cresceu apenas 0,002 em 2005.
A expectativa de vida da população foi um dos itens que empurraram o Brasil para o grupo de alto desenvolvimento humano. Em 2004, a expectativa era de 71,5 anos. Em 2005 o índice subiu para 71,7.
De acordo com o Pnud, isso se deu por conta de uma revisão feita em 62 países em relação à sobrevida de portadores de HIV.
O assessor especial do Pnud, Flávio Comim, explicou que a mortandade dos infectados estava superestimada, o que fez com que a revisão aumentasse a expectativa de vida média da população.
A renda per capita do brasileiro também subiu. Em 2004, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita era de US$ 8,325, passando para US$ 8,402 no ano seguinte.
Para o cálculo do IDH de 2005, o Pnud utilizou dados relativos à educação do ano anterior. De acordo com Comim, isso foi feito porque a Unesco, que cede os dados para o cálculo, não havia recebido do governo brasileiro os números atualizados por motivos burocráticos. A taxa de matrículas (percentual de pessoas de 6 a 22 anos matriculados em escolas ou universidades) brasileira foi de 87,5% enquanto a de alfabetização dos adultos (acima de 15 anos) ficou em 88,6%.

Ranking

Em 2005, a Albânia e a Arábia Saudita ultrapassaram o Brasil no ranking do IDH, ocupando agora a 68ª e a 61ª posição respectivamente. O Brasil, em compensação, ficou à frente da Dominica (71ª posição).
Países vizinhos do Brasil, porém, estão em melhor posição, como a Argentina (38ª), Chile (40ª) e Uruguai (46ª). A Islândia ocupa a primeira posição, com IDH de 0,968, seguida por Noruega, Austrália, Canadá e Irlanda. Em último lugar (177ª posição), com IDH de 0,336, está Serra Leoa.

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