Foi sofrido. A segunda zebra das semifinais da Copa das Confederações rondou o estádio Ellis Park ontem, mas foi afastada por Daniel Alves. Autor do gol brasileiro na vitória por 1 a 0 sobre a África do Sul, o lateral-direito ajudou a equipe a carimbar sua passagem à decisão da competição pela quarta vez na história. A dificuldade, contudo, foi grande. O gol saiu somente aos 42min da etapa final.
Daniel Alves entrou no lugar de André Santos aos 36min do segundo tempo para ser o nome do jogo seis minutos mais tarde. Com cobrança de falta perfeita, sua especialidade, foi o herói da classificação brasileira e o carrasco do conterrâneo Joel Santana, treinador dos sul-africanos.
Ao som de sua ensurdecedora torcida, os anfitriões venderam caro a derrota na primeira semifinal do país em um torneio Fifa. Batalharam com a mesma vontade do início ao fim pelo que seria um triunfo histórico. Foi o jogo mais duro para o Brasil na competição. No entanto, o time de Dunga fez valer o favoritismo. A equipe da casa, por sua vez, teve a valentia reconhecida e foi aplaudida após o apito final.
A decisão contra os Estados Unidos acontece novamente no Ellis Park, em Johanesburgo, às 15h30 (de Brasília) neste domingo, 28 de junho. No mesmo dia, às 11h (horário brasileiro), a África do Sul busca o terceiro lugar diante da Espanha em Rustenburgo. Os europeus foram vítimas da maior surpresa do torneio ao perderem para os norte-americanos na primeira semi.
Será a quarta decisão de Copa das Confederações do Brasil em seis edições. O retrospecto é positivo. Os pentacampeões levaram o título em 1997 e 2005. Só perderam a final em 1999.
Com Luisão no lugar do lesionado Juan, única alteração em relação à partida passada, o Brasil viu logo no começo do jogo que teria trabalho na defesa. Joel Santana não blefou ao dizer que sua equipe buscaria o ataque. Sem a bola, porém, a África do Sul postou os 11 no campo de defesa. A seleção de Dunga também se posicionou bem atrás.
Por isso, o primeiro chute a gol do jogo aconteceu só aos 12min, com Ramires. Já a primeira chance clara de gol foi dos anfitriões, em cabeçada de Mokoena que assustou Júlio César. Uma cobrança de falta de Tshabalala também levou perigo.
A torcida fez sua parte. Além de soprar as tradicionais vuvuzelas, os sul-africanos gritaram e ficaram eufóricos a cada drible, passe em profundidade ou cruzamento. Também lamentaram em coro os erros dos Bafana Bafana, que não foram poucos (principalmente no setor ofensivo).
O mesmo aconteceu com o Brasil. A insistência pelo meio resultou em tabelas incompletas. Os laterais também não conseguiram chegar ao fundo com frequência. Kaká e Robinho tentaram buscar mais o jogo para abrir espaços. O camisa 10 teve as melhores chances da seleção no primeiro tempo. Um chute que raspou a trave. O outro parou nas mãos de Khune. Pienaar deu o troco no fim da etapa inicial.
Depois do intervalo, o Brasil esboçou postura mais aguda, com marcação adiantada. A equipe da casa, por sua vez, empolgou-se com seu desempenho e representou perigo constante à meta de Júlio César. Do outro lado, Khune teve menos trabalho.
A falta de criatividade no meio e o individualismo excessivo dos homens de frente complicaram a seleção brasileira. Se por um lado Júlio César foi pouco ameaçado (exceção feita a chute perigoso de Teko Modise), Kaká, Robinho e Luís Fabiano também pouco fizeram de efetivo, vencidos pela marcação.
Mas Dunga tinha Daniel Alves como opção. O lateral-direito saiu do banco para anotar belo gol de falta e frustrar mais de 40 mil sul-africanos presentes no estádio. As vuvuzelas perderam força, assim como os gritos dos fãs dos Bafana Bafana.

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