Desde 2009, o Brasil se tornou a principal rota usada pelos traficantes para o transporte de cocaína com destino à Europa. A conclusão faz parte do Relatório Mundial de Drogas 2011, divulgado nesta quinta-feira (23) pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), que mostrou um aumento de 940% nas apreensões da droga em países europeus vindas de Eestados brasileiros. Os flagrantes saltaram de um total de 339 quilos da droga, em 2005, para 1,5 t, em 2009.
De acordo com o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes no Brasil (UNODC), Bo Mathiasen, o fenômeno da consolidação do Brasil na distribuição de cocaína no globo resulta de novas estratégias usadas pelos criminosos.
O narcotráfico está fragmentando o comércio em pequenas porções. É uma maneira de pulverizar o tráfico utilizando novas rotas, como no caso do Brasil, analisou Mathiasen. As apreensões da droga no território brasileiro também cresceram no período – passou de 8 t, em 2004, para 24 t, em 2009.
Embora ainda esteja em terceiro lugar no volume da droga distribuída, atrás da Venezuela, com 6,6 t, e do Equador, com 3,5 t, o Brasil foi o único país sul-americano de onde partiram carregamentos de cocaína para a África em 2009.
Consumo
Os brasileiros respondem por 33% do total de usuários de cocaína na América do Sul, de acordo com o relatório da ONU. No entanto, a taxa de prevalência da droga na população com idade entre 15 e 64 anos, é menor se comparada com outros países da região em função do grande número de habitantes.
O documento demonstra que entre estudantes universitários brasileiros, a prevalência anual do uso de cocaína foi de 3% dos alunos de 18 a 35 anos. O consumo foi muito menor entre as mulheres em comparação com a parcela masculina.
Campeã
Embora não tenha divulgado dados sobre o consumo de maconha no território brasileiro, o documento revela que a maconha é a droga mais usada no mundo. O público usuário estimado é entre 125 e 203 milhões, o que representa de 2,8% a 4,5% da população mundial.
No Brasil, o consumo é maior entre os jovens de 16 e 17 anos, com prevalência de 6,3%. Já entre os adultos, 2,6% admitem terem consumido maconha.
Polícia carioca queimou cerca de 3 t de maconha, cocaína e crack, em 2009, durante a Semana Nacional de Combate às Drogas

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