Três pessoas foram diagnosticadas no Brasil com danos nos pulmões associadas ao uso de cigarros eletrônicos, de acordo com alerta da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Na terça-feira (3), a SBPT comunicou os diagnósticos e alertou para os riscos do uso do equipamento. A venda dos dispositivos é vetada no país.

A SBPT confirmou que os casos identificados no Brasil são decorrentes da vaporização de tetrahidrocanabinol (THC) e que todos os pacientes adquiriram o dispositivo nos Estados Unidos. O G1 entrou em contato com a Anvisa em busca de balanços oficiais do governo e, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.

“Foram confirmados três casos até agora”, disse ao G1 Jose Miguel Chatkin, presidente da SBPC. “Mas a pedido dos médicos e dos próprios pacientes, não podemos identificá-los. O que fazemos é um alerta para que profissionais da saúde saibam identificar este problema.”

‘Injúria pulmonar’
Os sintomas decorrentes do uso destes equipamentos costumam incluir tosse, dor torácica e dispneia, disse a SBPT em um comunicado. A instituição destacou também dores abdominais, náusea, febre, calafrios e até perda de peso.

O especialista explicou que ainda não há um termo brasileiro para identificar os danos causados pelo uso de cigarros eletrônicos e que os médicos usam o conceito importado dos EUA Injuria Pulmonar Relacionada ao Uso de Cigarro eletrônico (Evali, da sigla em inglês).

“Falamos em, injúria ou agressão, porque há uma substância ainda indefinida que agride algumas partes do aparelho respiratório, principalmente o interstício, que é um tecido pulmonar que conecta vasos e brônquios, é ele que está sofrendo com essa agressão”, definiu Chatkin.

No Brasil, o tratamento indicado prevê a suspensão imediata do uso do cigarro eletrônico, uso de corticoides e até mesmo a internação para acompanhamento em casos de pacientes dispneicos ou com a respiração prejudicada.

Hospitais devem notificar Anvisa

Em outubro deste ano a Anvisa pediu que instituições de saúde do Brasil enviassem alertas sobre relatos de problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos. Ao todo, 252 instituições de saúde do país farão parte da “Rede Sentinela”, que contribuirão para a criação de um diagnóstico nacional.

Para a agência, esta ação deve reduzir os riscos de que aconteça no país o mesmo que nos Estados Unidos, onde pelo menos onze pessoas morreram por causa de doenças pulmonares severas relacionados a esse hábito. Veja abaixo, em vídeo, como esta rede vai operar:

Em nota, a Anvisa disse naquela ocasião que ação tem como objetivo reunir informações para antecipar e prevenir uma crise de saúde como a que tem sido noticiada nos Estados Unidos, onde há casos de uma doença respiratória grave, levando a óbitos, associada ao uso desses dispositivos.

A SBPT reforçou que todos os casos que chegarem à instituição e forem confirmados serão encaminhados para a agência sanitária brasileira, e Chatkin destacou a dificuldade que os profissionais da saúde têm em identificar possíveis casos de danos nos pulmões.

“Muitos passam despercebidos, por canta de ter sintomas muito parecidos com uma gripe. Apenas aqueles pacientes que evoluíram mal e acabam indo para o hospital é que recebem uma melhor avaliação e podem ter essa situação confirmada”, disse o pneumologista.

Mortes registradas nos EUA
Autoridades de saúde pública dos EUA confirmaram até o final de novembro ao menos 47 mortes e 2.290 casos de hospitalizações no país.

Várias das doenças registradas podem ter relação com produtos contendo acetato de vitamina E, um óleo que pode ser perigoso se inalado. Entre esses componentes, estão derivados da cannabis.

“Nos EUA, se aponta que essa agressão possa estar relacionada ao uso de maconha, que tem que seer misturada com a vitamina E. Há registros de que essa substância foi encontrada dentro de células de defesa do corpo, indicando que há uma relação entre os casos com a vaporização”, disse o presidente da SBPT.

A Food and Drug Administration (FDA), a “Anvisa” norte-americana, ainda não determinou a regulação do produto e jogou essa resolução para 2022, algo que gerou muitas críticas internas.

Mais de 9 milhões de pessoas fumam os e-cigarettes nos Estados Unidos, de acordo com o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Embora o produto seja proibido no país desde 2009, sem nunca ter sido registrado por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante.

A Anvisa justifica essa decisão com “a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto”, especialmente quando apresentado como instrumento para parar de fumar. Também está vetada a publicidade e a importação do produto.

Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um — Foto: Roberta Jaworski/G1


 

Fonte: G1 ||
Imprimir
Comentários