Meu colega do INPE, Leandro Hoffman, afirma que crédito é uma arma carregada, bobeou, ela dispara no pé. Ou em outras preciosidades se estiver na cintura. Eu já acredito que seja uma granada sem o pino de segurança, pode explodir ao menor descuido e ferir todos à volta.

Inacreditavelmente, o governo brasileiro patrocina uma diretoria do Banco Central que lançou à estratosfera os juros no nosso país. Juros de 13,75% ao ano! Se o mercado diz que como a inflação não é de demanda, esses juros altos não têm eficácia. Mas que teoria seguem esses “experts”?

Se esses juros matam o próprio governo e o país, o que dizer então dos juros que o cidadão comum está pagando? O Banco Central divulgou a média dos juros cobrados em maio no crédito rotativo do cartão de crédito: 360,6% ao ano. A taxa é recorde e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo Banco Central. Também tem que destacar os juros do cheque especial: 232%, também um recorde.

E o óbvio aconteceu, a família brasileira nunca esteve tão endividada, em abril, o volume de dívidas das famílias passou a 46,30%, o maior porcentual desde janeiro de 2005, quando começou a pesquisa.

Todas as autoridades governamentais e jurídicas, políticos, órgãos de defesa do consumidor e cidadãos testemunham um crime gigantesco contra a Economia Popular, o crime de usura, na lei desde 1951. E ninguém toma uma providência. Ninguém é preso, processado ou julgado. Por quê?

Ao menos, os bancos oficiais não deveriam participar desse saque coletivo. Antes, deveriam promover, pela concorrência, juros justos. Afinal, para que servem se não for para regular o mercado também? Quem precisa dar essa direção, a presidente do Brasil? O que ela está esperando?

Mas tem que fazer de verdade, não como testemunhei ano passado. Diante de tantas propagandas do Cartão do BNDES para pequenos empresários, acreditei ser uma excelente saída e fui conhecer. Tive que ouvir do gerente de São Sebastião que era propaganda da Dilma para ganhar as eleições, outra mentira.

Porém, o BNDES aprovou 12 bilhões de dólares para ditaduras sanguinárias e megaempreiteiros a juros que perdem para a inflação, ou seja, nós, os pagadores de impostos bancamos essa camaradagem.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal têm um poder econômico enorme, podem regular os juros e impulsionar a economia. Se os preços sobem porque a procura aumenta, basta aumentar a oferta. E, através da redução de custos, deveria ser a meta nacional. A começar pelo governo.

Além dos juros e impostos, outra causa do alto custo é o serviço de entrega, serviço exclusivo da estatal Correio. Como fomentar a venda por catálogo e internet se o custo da entrega é tão grande? Para que se tenha uma ideia, um produto, por exemplo, uma lâmpada LED, que custe R$ 15,00 na China, paga somente um real para enviar da China até a minha casa. Uma lâmpada equivalente custa uns cinquenta reais em São Paulo, para entregar na minha casa custa R$ 13,00, ou seja, quase o valor de uma enviada do outro lado do mundo… Como uma economia pode evoluir assim? Dá um jeito nisso dona Dilma!

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