O setor de planos de saúde encerrou o primeiro semestre de 2011 com um movimento de R$ 38 bilhões, crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2010. Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No fim de junho, 46,6 milhões de pessoas possuiam plano de saúde, 7,6% mais do que o contabilizado no mesmo período do ano anterior.
Os bons números levantam dúvidas sobre a preparação das operadoras para absorver esse crescimento. Analisando a expansão de reclamações em órgãos de defesa do consumidor, há razões para preocupação. O Procon da Assembléia Legislativa de Minas Gerais registrou aumento de 30% no número de reclamações no primeiro semestre contra o mesmo período de 2010.
O crescimento está expresso no faturamento das seguradoras. No primeiro semestre, contra o primeiro semestre do ano anterior, o faturamento da Bradesco Saúde aumentou 23%, o da Porto Seguro, 20%, e o da Sul América, 19%.
Para o diretor-executivo da Fenasaúde e ex-ministro da Previdência, José Cechin, nem mesmo este crescimento conseguirá manter a saúde financeira das empresas, caso não haja uma reformulação na política de saúde suplementar. ?Precisamos mudar a ótica e a solução é prevenir em vez de tratar,? diz.
Em nota, a Unimed-BH informou que tem mais de 120 mil clientes na faixa acima dos 60 anos de idade, o que representa 12% da sua carteira, e que já oferece, gratuitamente, palestras educativas, e organiza grupos operativos voltados exclusivamente para os idosos. Além disso, mantém um programa de atenção à saúde do idoso que prevê o seu acompanhamento regular em consultório médico.
A nota ainda informa que a operadora possui programas específicos para clientes que apresentam fatores de risco e condições clínicas, como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais crônicas. Sobre a possibilidade de bonificação e descontos, a operadora não quis se posicionar.
Já a operadora Intermédica, pertencente ao Grupo NotreDame, oferece plano de assistência que inclui ações de promoção de saúde e prevenção de doenças. ?O associado transforma a participa nos programas em pontos que são trocados por prêmios?, explica o diretor médico da Intermédica, Pedro Onófrio.
A Amil Assistência Médica informa que ainda está avaliando as novas regras da ANS para programas de prevenção à saúde. Apesar de não ter aderido ao programa de bonificação, o gerente médico de gestão da Saúde da Amil em Minas Gerais, Estevão Valle afirma que a operadora desenvolve vários programas que visam a promoção da saúde dos seus clientes.
?Nos nosso centro chamados Total Care, especializados no tratamento de doenças crônicas como o diabetes, a média de internações de pessoas acima de 55 anos chega a ser 10 vezes menor do que a verificada entre os pacientes que não participam de nenhum programa de saúde?, disse.

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