Tivemos recentemente manifestações contra as coberturas mostradas pela televisão, tais como a matéria com o título de “Crianças, Olimpíadas e Bundas” (http://www.clicfolha.com.br/materia/61044/criancas-olimpiadas-e-bundas), onde o missivista colocou alguns tópicos com relação à qualidade e exploração dos meios de comunicação, notadamente a TV, com os apelos sexuais desmesurados que contrariariam a moral existente. A TV exagera, mas censura pura e simples é um ataque à liberdade de expressão e pode não ser o melhor caminho.

Por outro lado, os defensores que falam “assiste quem quer”, não têm sustentação dentro deste argumento, pois a TV é o meio de comunicação social que está impregnado na população e pelo menos ainda não se tem mecanismos de fugir da invasão que ocorre nas telas de cada um. Exemplo: no intervalo de um programa de notícias entra um comercial com bundas rebolando de surpresa. E aí, qual a opção de quem não quer assistir?

Acontece na TV em quaisquer programas, desde o carnaval, em apresentações tais como das olimpíadas, nas dançarinas de programas de auditório, todos os apelos eróticos citados pelo missivista. Coisa típica da licenciosidade cultural do país.

Em resumo, resta a tentativa de mudar a educação, a cultura do país. Desligar a TV é uma opção individual.

Cabe, entretanto, uma grande discordância com as colocações feitas na mesma matéria como: “além das bundas, houve a insinuação explícita da povoação das terras de Pindorama – Brasil, Terra das Palmeiras – por micróbios do caldeirão do sopão da evolução. Eu sou fruto da Criação, assim como todo o mundo. É heresia uma nação cristã como a nossa propagar uma teoria desconexa como verdade absoluta [SIC].

Ora, uma teoria baseada em observações e fatos, mesmo que ainda não transformada em verdade absoluta (aliás, em tese, verdade absoluta não existe), não deveria ser combatida simplesmente com uma afirmação de que a teoria não é verdade. Uma teoria pode ser facilmente desmontada desde que suas teses sejam vencidas pelas antíteses disponíveis.  Não é o caso da teoria da evolução que ganha corpo científico cada vez maior.

O autor também comete um equívoco crasso ao afirmar que é fruto da criação “como todo mundo”. Trata-se de uma afirmação puramente dogmática, baseada em crenças pessoais e tradições, sem qualquer comprovação e neste caso a heresia é um direito inalienável.

Afinal heresia, ao contrário de ser um palavrão satânico, significa apenas “pensar por si próprio, sem imposições dogmáticas”.

Podemos estar sim numa nação de predominância cristã, porém estamos também dentro de um estado laico que permite que tais posições sejam rechaçadas mediante argumentos lógicos e civilizados.

Os que vivem sob dogmas, não podem impedir as manifestações livres e heréticas que estão longe de serem imorais ou desonestas, além de que os religiosos não podem prepotentemente exigir que o deus da sua crença tenha que ser o deus de todos.

Esquecem que os deuses só existem dentro da abstrata fé de cada um.

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